VIGÉSIMO SÉTIMO ENCONTRO
Tema: Mc 15,29-39: A MORTE DO CRUCIFICADO
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto: A morte do crucificado.
Mc 15,29-39
Favorecer a reflexão:
Destacar palavra ou frases do texto que chamaram a atenção ou um instante de silêncio para a interiorização pessoal ou ainda para a imaginação mental da cena que o texto sagrado apresenta.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. v.30: "Salva-te a ti mesmo, desce da cruz". Perdeu-se a si mesmo, mas salvou a humanidade. Descer da cruz é o que cada ser humano procura fazer (fugir do sofrimento). Mas Ele é Deus e não um simples homem, por isso entrega-se a si mesmo e permanece na cruz. Se descesse da cruz seria como nós. Teria salvado a si, mas não a nós. Hoje são muitos os gritos dos egoístas: "Salva-te a ti mesmo, pense em você, nos teus interesses, ao que te dá garantia de vida".
2. v. 32: "O Messias, o Rei de Israel... que desça agora da cruz, para que vejamos e creiamos."Jesus é o Rei. Morre como Rei (INRI - Jesus Nazareno, Rei dos Judeus). Mas um Rei diferente. Sua realeza não se baseia no jogo de poder das realezas deste mundo, não tem exércitos para defendê-lo, nem coroa de ouro na cabeça, nem um trono bonito para sentar. Seu trono é a cruz, sua coroa é de espinhos, dos seus seguidores lava os pés. A realeza de Jesus consiste em dar testemunho da verdade. Ele é o Cristo, o Rei porque cumpre até o fim a vontade do Pai que ama de tal modo o mundo, que é capaz de entregar seu Filho único. É Rei próprio porque se fez servo até a morte, e morte de cruz. Jesus poderia ter descido da cruz (tinha poder para isso) e provavelmente todos acreditariam nele. Mas ele seria visto como um herói e não como Deus. Deus não faz espetáculo em favor de si mesmo. Os poderosos acreditam em quem salva a si mesmo a todo custo, inclusive a custa dos outros. Nós acreditamos em Jesus como Salvador e Senhor não de si, mas da humanidade. Jesus poderia ter fugido da morte, mas optou por vencê-la; poderia ter salvado a sua vida, mas optou por salvar a nossa.
3. v. 34: "Deus meu, Deus meu, por que me abandonastes?" É o início do Sl 22 (21), que fala do justo sobre o qual cai o mal do mundo. "Por que me abandonastes?" Na verdade não foi Deus que abandonou a humanidade, foi o ser humano que abandonou Deus (pecado). Este abandono Jesus, como homem, carrega nas suas costas. Abandona-se a si mesmo, se perde para salvar a humanidade. Mas o Pai não o deixa abandonado no sofrimento. O inocente que sofre clama a Deus e confia na sua ajuda justamente porque sabe que Deus não quer aquele sofrimento. "Meu Deus": é confiança filial absoluta. O próprio Cristo apresentou pedidos e súplicas Àquele que podia salvá-lo da morte. A resposta de Deus veio na ressurreição: ele abre a perspectiva da salvação além desta vida, quando não existe mais esperanças humanas. Deus não o livra da morte, mas o livra na morte. Da morte não escapa nenhum mortal, mas na morte, contra toda esperança humana, Deus está presente e doa a vida que promete.
4. v. 39: "Verdadeiramente este homem era filho de Deus?" Desde o início o Evangelho de Marcos procura responder Quem é Jesus? E conclui com a profissão de fé do centurião romano: É o Filho de Deus. O Deus, que se deixa crucificar por amor. Deus é um que ama assim, e quem ama assim é Deus.
Sofrimento: Normalmente diante do sofrimento, somos tentados a não progredir na nossa vida cristã. Não aceitamos sofrer, suportar, temos dificuldade de fazer renúncias. Cremos que não pode existir um sofrimento santo. Também não compreendemos, sem o Espírito Santo, como pode existir um amor mais forte do que a morte, não um amor que impede a morte, mas um amor em grau de santificá-la, de torná-la santa.
Do outro lado, às vezes o sofrimento é visto como um "castigo de Deus". Há quem diga: "Deus quer assim". A cruz de Jesus nos ensina que o sofrimento não é castigo, mas pode ser caminho para a vida, como o grão que morre para gerar a espiga. Deus transforma o sofrimento em alegria, assim como as dores do parto se tornam lágrimas de felicidade pela nova vida que nasce.
Também a paixão de Cristo não pode nos levar a crer que, de fato, Deus quer que soframos primeiro para depois sermos salvos. Nem mesmo o sofrimento de Cristo foi planejado e executado por Deus. Ele era a vítima (cordeiro) da maldade dos outros. Mas a maior lição que Jesus nos dá na paixão é o ensinamento de que podem existir sofrimentos, vividos no amor. Cristo não quer a morte em si mesma. Mas atravessa-a como expressão fulgurante do seu amor por nós.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
Refletir a morte de Jesus não é ocasião de luto ou choro, mas uma amorosa contemplação do sacrifício redentor do qual brota a nossa salvação. Diante do sofrimento, que não é vontade de Deus, Jesus nos encoraja a ficar com ele. No coração de Jesus tem uma união perfeita entre amor e sofrimento. No sofrimento também podemos nos aproximar de Jesus.
1) A fidelidade à Jesus Cristo e aos seus ensinamentos as vezes nos faz sofrer. Quais os sofrimentos vivenciados no âmbito familiar que nos santificam?
2) É possível criar um vínculo de intimidade com Jesus no sofrimento? Partilhar algumas experiências.
3) Jesus foi às últimas conseqüências. Será que eu estou vivendo as exigências de minha fé, de minha vocação cristã ou estou fugindo da cruz, pensando somente na minha comodidade?
4) Se Deus morre de amor por mim, porque eu faço tão pouco por Ele?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
VIGÉSIMO OITAVO ENCONTRO
VIGÉSIMO SEXTO ENCONTRO
Tema: Mc 14,12-16.26-30: PREPARAÇÃO
DA PÁSCOA E NEGAÇÃO DE PEDRO
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, as palavras de Jesus sobre:
Mc 14,12-16.26-31
Favorecer a reflexão:
Viver o espírito eucarístico é essencial para que uma família possa viver a sua vocação de transmitir a vida e os valores que a protegem. Na eucaristia Jesus quer transmitir valores que transcendem o simples "comer e beber" para saciar o corpo. Quer nos mostrar o que vai além do material e que exige esforço de conversão e mudança de vida. Exige discipulado.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. O gesto dos discípulos que se lê em 14, 12-16 situa-se no pano de fundo da história e da tradição israelita. Os discípulos se vinculam entre si através da comida, mais que por idéias ou palavras peculiares. Esta ceia celebra a comida ritual mais importante da história e da lei judaica, preparada sempre de acordo com as leis de separação sacral: nela não entram leprosos, pagãos, publicanos, etc.
2. Os que provocam a celebração da páscoa são os doze que seguem movendo-se a nível israelita de "comidas puras" e do templo. Querem celebrar por meio da páscoa a eterna solidariedade judaica, tanto em perspectiva de recordação (eles se identificam com o povo libertado do Egito) como de comunicação presente (todos os judeus se vinculam em um corpo, especialmente aqueles que compartilham a páscoa do cordeiro).
3. Com a eucaristia Jesus inaugura uma nova solidariedade. Ali onde Jesus é traído por um dos doze, cumprindo a exigência da lei judaica, oferece a mais profunda aliança universal da sua comida. Diante dos sinais do antigo Israel nacionalista (representado pelos doze) Jesus eleva um novo símbolo criador de comunhão: seu corpo feito pão universal, seu sangue feito comida para todos os humanos. Jesus, o solitário, expulso de Israel, condenado à morte, pode e quer apresentar-se como princípio e conteúdo da mais alta comunhão.
4. De acordo com seu estilo, Marcos introduz o relato eucarístico central (14,22-25) entre dois textos paralelos e complementares que definem seu sentido. Ao anúncio anterior de traição (14,18-21) se vincula este novo anúncio de escândalo e negação do conjunto dos discípulos que o abandonam e escapam incluindo Pedro (14, 27-31). O abandono faz parte do contexto em que se movem os discípulos. Jesus rompeu o círculo da solidariedade nacional e assim tornou-se um escândalo, ocasião de queda para seus doze discípulos judeus.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Quais são os níveis de relacionamento que os casais vivem e enfrentam até chegar ao nível do " amor maduro"?
2) Quais dificuldades provem, normalmente, do amor vivido de maneira imatura?
3) Quais as alegrias que o amor vivido na solidariedade, na cumplicidade, na entrega total trazem ao casal?
4) O amor imaturo ou o amor maduro tem conseqüências perceptíveis nos filhos?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
VIGÉSIMO QUINTO ENCONTRO
Tema: Mc 14, 3-9: A UNÇÃO EM BETÂNIA
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto sobre a unção de Jesus em Betânia: na casa de Betânia, uma discípula fiel.
Mc 14,3-9
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto:
1. Uma mulher, cujo nome não é mencionado, unge Jesus com um perfume caríssimo. Num gesto de total gratuidade, ela quebra o frasco. Os discípulos criticam o gesto. Acham que é um desperdício. De fato, trezentos denários eram o salário mínimo de 300 dias! O salário de quase um ano inteiro foi gasto de uma só vez!
2. Jesus olha o gesto da mulher e a defende.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. Naquele tempo, uma pessoa condenada à morte de cruz não recebia sepultura e não podia ser ungida, pois ficava pendurada numa cruz até que os bichos comessem o cadáver, ou recebia sepultura de indigente. Jesus ia ser condenado à morte de cruz, conseqüência do seu compromisso com os pobres e da sua fidelidade ao projeto do Pai. Não ia ter enterro. Por isso, depois de morto, não poderia ser ungido. Sabendo disso, a mulher se antecipa e o unge antes de ser crucificado. Com este gesto, ela mostra que aceita Jesus como Messias, mesmo crucificado!
2. Jesus disse: "Vocês vão ter sempre pobres com vocês". Jesus não quis dizer que não devemos nos preocupar com os pobres. Também não quis dizer que a pobreza é um destino imposto por Deus. Jesus estava citando Dt 15, 11, que termina dizendo: "por isso, eu ordeno: abra a mão em favor do seu irmão pobre e indigente, na terra onde você estiver!. Conforme esta lei, a comunidade devia acolher os pobres e repartir com eles os seus próprios bens. Os discípulos, porém, queriam fazer caridade vendendo o perfume e usando o dinheiro para ajudar os pobres. Jesus ensina exatamente o contrário. Quem faz caridade com o dinheiro da venda do supérfluo não incomoda e não será condenado. Mas aquele que insiste na obrigação de acolher os pobres e partilhar com eles seus próprios bens, este incomoda e corre o risco de ser condenado.
3. Esta discípula anônima é modelo para Pedro e para os outros discípulos que não tinham entendido nada. Ela é modelo para todos nós. Mais tarde, graças à intervenção de José de Arimatéia, Jesus teve o seu enterro.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Qual o ponto deste texto que mais chamou a sua atenção? Por quê?
2) Qual a atitude da mulher? O que ela diz e faz? Qual o significado do seu gesto?
3) Quem critica a mulher e por quê? Por que Jesus defende a mulher?
4) Jesus diz: "Pobres sempre tereis!" Qual o significado desta frase?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
VIGÉSIMO QUARTO ENCONTRO
Tema: Mc 12,38-44: AS DISPOSIÇÕES DO CORAÇÃO -
O ÓBOLO DA VIÚVA
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto sobre "as disposições do coração - o óbolo da viúva
Mc 12,38-44
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto:
1. Podemos "ver" Jesus ensinando a multidão. É possível imaginar entre a multidão, um grupo de Escribas, aos quais Jesus está dirigindo duras críticas a respeito de seu comportamento (v. 39-40).
2. Ajuda, também, na visualização da cena, se imaginarmos a reação dos Escribas diante das duras palavras de Jesus. Jesus estava no Templo. Podemos imaginar muita gente transitando neste local. O lugar onde Jesus se encontra é destinado às ofertas. Ele está junto ao cofre, observando discretamente (v. 41).
3. Nisto é possível imaginar as pessoas se aproximando do cofre para depositar sua oferta, dentre eles os ricos, que depositavam muito dinheiro (v.41). Podemos ver também alguns pobres entre os ofertantes. Estes se aproximam timidamente do cofre. Dentre estes pobres está uma viúva, que deposita no cofre duas moedas (v. 42). Jesus está observando cuidadosamente os diferentes comportamentos. A atitude da viúva chama a atenção de Jesus e Ele aproveita para ensinar aos discípulos.
4. Podemos ver Jesus chamando os discípulos para perto de si e apontando para o gesto da viúva em comparação ao gesto dos ricos (v.43). Por fim, vale a pena reconstruir a cena em que Jesus fala carinhosamente aos discípulos sobre a atitude de doação e despojamento da viúva, não apenas reproduzindo um gesto externo (v. 44).
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. "Ao ensinar, Jesus dizia: "Cuidado com os Escribas. Eles fazem questão de andar com amplas túnicas e de serem cumprimentados nas praças, gostam dos primeiros assentos na sinagoga e dos lugares de honra nos banquetes. (v. 38-39). Na sociedade judaica do tempo de Jesus, o grupo dos escribas ou doutores da Lei estava em ascensão e adquiria cada vez maior prestígio. Seu grande poder residia no Saber - mestres do judaísmo eram os especialistas na interpretação da Sagrada Escritura. Os escribas acabaram se tornando também especialistas em direito, administração e educação. Foram influentes no Sinédrio (tribunal superior) eram juristas para administração e para assuntos judiciários; na Sinagoga (casa de oração e da Palavra) eram intérpretes da Escritura, criando sempre novas tradições; na Escola eram mestres. Jesus questiona a atitude dos Escribas por ver que estes se utilizavam de seu conhecimento da Lei em benefício próprio: buscando prestígio e ao mesmo tempo sustentando privilégios. Este tipo de comportamento é condenado por Jesus.
2. "Mas devoram as casas das viúvas, enquanto ostentam longas orações. Por isso serão julgados com maior rigor" (v. 40). Desde que o povo de Israel se estabeleceu na Terra Prometida, existiam leis para proteger o órfão, a viúva, o forasteiro, mesmo porque estes não podiam possuir a terra. A experiência da pobreza, libertação e aliança, cria no povo uma grande sensibilidade para com os pobres, órfãos e viúvas. A lei do levirato e as leis sociais insistem na proteção às viúvas (Ex 22,21-23; Dt 10,18; 24,17-21; 26,12s; Is 1,17-23; Jó 29,13). Diante da situação miserável das viúvas, a própria palavra de Deus apresenta milagres anunciam a sua felicidade messiânica (1Rs 17,8-15; 2Rs 4,1-7; Sl 146,9). Jesus chama a atenção ao comportamento dos Escribas: escondem sua cobiça de honra, banquetes e dinheiro atrás de longas orações e "esses receberão sentença mais severa". Por outro lado, os Escribas aconselhavam "boas obras" às viúvas, a fim de apoderarem-se dos pobres recursos delas. Jesus condena a falsa piedade dos Escribas (hipocrisia).
3. "Jesus estava sentado em frente ao cofre das ofertas e observava como a multidão punha dinheiro no cofre. Muitos ricos depositavam muito" (v. 41). A sociedade do tempo de Jesus é uma sociedade desigual. O templo, centro sagrado para a religião de Israel, havia se tornado um centro de exploração econômica e política. Jesus observa que os ricaços piedosos que passavam por ali, davam ninharia de seu supérfluo, enquanto, a seguir, a viúva dará tudo quanto tem para viver.
4. "Chegou então uma pobre viúva e deu duas moedinhas. Jesus chamou os discípulos e disse: Em verdade vos digo: esta viúva pobre deu mais do que todos os outros que depositaram no cofre" (v. 42-43). Em oposição à atitude dos ricos, o Evangelho cita o exemplo de uma viúva que, depositando algumas moedinhas no templo, coloca "todo o seu viver" nas mãos de Deus, enquanto as pessoas abastadas, embora com muita ostentação, só dão de seu supérfluo. A índole da viúva é confiar em Deus, já que vive à mercê das pessoas.
5. "Pois todos eles deram do que tinham de sobra, ao passo que ela, da sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha para viver\'" (v. 44). A generosidade da viúva tornou-se um grande exemplo, já que na naquela sociedade, geralmente eram pobres, sobretudo se tivesse um filho que a sustentasse. A viúva que entrou no templo tirou um donativo para o templo daquilo que lhe servia de sustento. Jesus preza pela generosidade como a da viúva, não necessitando ser rico para dar donativos e agradar a Deus, como muitos ainda pensam hoje.
3- PARTILHA
PERGUNTAS ORIENTADORAS PARA O DIÁLOGO:
1) Jesus ao ensinar pede cuidado com os Escribas. Eles fazem questão de andar com amplas túnicas e de serem cumprimentados nas praças, gostam dos primeiros assentos na sinagoga e dos lugares de honra nos banquetes. Quais são os exemplos precisamos evitar se quisermos ser verdadeiros em nossa vida de fé? Ainda existem pessoas que se utilizam da religião e da fé para conseguir prestigio e destaque sobre os demais?
2) Jesus condenou a atitude dos Escribas porque exploravam as viúvas, e ao mesmo tempo ostentam longas orações. Como as pessoas se dirigem a Deus em nossos dias? Aquilo que rezamos torna-se visível em nossas atitudes? Como posso dizer que acredito em Deus se minha alegria está em ganhar dinheiro fácil às custas dos outros?
3) Jesus estava sentado em frente ao cofre das ofertas e observava como a multidão punha dinheiro no cofre. Muitos ricos depositavam muito. Davam uma migalha de seu supérfluo. Como lidamos com a caridade e com o preceito do dízimo em nossos dias? Também damos aquilo que sobra? O dízimo é prova de nossa confiança em Deus e deve ser a melhor parte de tudo o que vem de graça e que o dizimista reparte. Minha família é dizimista? Somos conscientes e fiéis ao dízimo, ou damos aquilo que sobra?
4) A pobre viúva deu duas moedinhas e sua ação foi elogiada por Jesus diante de seus discípulos. Como tem sido nossos gestos de caridade para com os que sofrem? Existem famílias necessitadas em nossa comunidade? O que poderemos fazer para que nossa fé nos leve a gestos concretos?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
VIGÉSIMO TERCEIRO ENCONTRO
Tema: Mc 12,28-34: O MANDAMENTO DE JESUS
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, as palavras de Jesus sobre qual é o principal mandamento que Ele nos ensina:
Mc 12,28-34
Favorecer a reflexão:
Jesus está diante dos dirigentes de Jerusalém. A partir de Mc 11,11, Jesus está em Jerusalém. Os discípulos têm medo de ir para lá, não entendem muito bem. Mas somente em Jerusalém Jesus poderá denunciar a estrutura excludente e marginalizante do centro Judaico, uma vez que ele seqüestrou para si a Aliança, a Promessa e o acesso a ela. Jesus vê no centro religioso o principal obstáculo, pois ele imobiliza a esperança. Qual o sentido da pergunta do Escriba?
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. O texto nos mostra o diálogo de Jesus com um Escriba. O Escriba é um doutor da lei e por isso interroga a Jesus. A sua pergunta sobre qual é o principal mandamento provém de uma situação incomoda para eles, pois "amar a seu próximo como a si mesmo" é o ponto crítico dos doutores da lei, já que eles detestam o povo (cf. Jo 7,49) e o exploram em nome da religião (cf. Mc 12,15-17).
2. O grande desafio consiste em não imitar os doutores da lei, que dissociavam o compromisso de amar a Deus e o próximo com o a si mesmo. O amor vem de Deus para nós em Jesus Cristo, e volta de nós para Deus pelas pessoas. Não podemos amar a Deus se não amarmos nosso semelhante. Assim João escreve: "Se alguém disser: ‘Amo a Deus` mas odeia o seu irmão, é mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. E este é o mandamento que dele recebemos: quem ama a Deus, ame também seu irmão" (1Jo 4, 20-210.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Quem são e como se comportam os escribas no mundo de hoje?
2) Que atitudes são sinais de conversão, para essas pessoas e para a sociedade em que elas atuam?
3) Como amamos e testemunhamos Deus?
4) O que precisaria ser mais testemunhado pela nossa atitude de seguidores de Jesus?
5) A partir da nossa vida familiar como devemos amar a Deus e ao próximo?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
VIGÉSIMO SEGUNDO ENCONTRO
Tema: Mc 12,13-17: O IMPOSTO A CEZAR
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, a palavra de Jesus que revela que Ele não aceita nenhuma forma de dominação:
Mc 12,13-17.
Favorecer a reflexão:
Através de seu agir, Jesus realiza o projeto messiânico segundo a vontade do Pai, entrando em conflito com uma concepção de Messias ligados aos esquemas de dominação. Toda a atividade de Jesus é o anúncio e a concretização do Reino de Deus (cf. Mc 1,15). E isso se manifesta pela transformação radical das relações humanas: o poder é substituído pelo serviço; o comércio pela partilha, a alienação pela capacidade de ver e ouvir a realidade. No texto de Mc 12,13-17, se opõem explicitamente a Jesus as autoridades que enviam alguns fariseus (que são os separados, rigorosos no cumprimento da Lei) e alguns partidários de Herodes (funcionários da corte de Herodes, concretizam a dependência dos judeus aos romanos), para apanhá-lo em alguma palavra. Qual é realmente a intenção das autoridades?
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. O imposto era o sinal da dominação romana; os fariseus rejeitavam, mas os partidários de Herodes o aceitavam. Se Jesus responde "sim" os fariseus o desacreditarão diante do povo; se Ele diz "não", os partidários de Herodes poderão acusá-lo de subversão. Mas Jesus não discute a questão do imposto. O que importa é o Reino de Deus. É o único absoluto a ser buscado. Jesus veio pregar o Reino: esta é a realidade fundamental e clara. Diante deste anúncio tudo passa para segundo plano. Com isto, Jesus não quer negar a função de Cesar, mas quer atingir seus adversários que não compreenderam sua missão e esquecem a questão decisiva.
2. Jesus se preocupa com as pessoas: a moeda é "de Cesar", mas o ser humano é de "Deus". O imposto só é justo quando reverte em beneficio do bem de todos. Jesus condena a transformação das pessoas em mercadoria que enriquece e fortalece tanto a dominação interna quanto estrangeira.
3. É preciso também evitar a separação entre o material e o espiritual, pois não foi isto o que Jesus quis dizer. Não existem duas esperanças: uma terrena e outra celeste. A esperança é uma só: diz respeito à realidade futura, mas, através do empenho cristão, a antecipa na realidade terrestre.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Que situações em nossa realidade revelam o mesmo comportamento das autoridades que se opõem a Jesus?
2) Por que eles não aceitam ou acolhem Jesus e o Reino de Deus?
3) A falta de compreensão sobre o que é mais importante causa um grande mal às famílias e à sociedade. Exemplifique.
4) Alguns ainda hoje pensam que Jesus quis dizer que a fé, a religião, a Igreja se referem a Deus e o imposto, a política, o dinheiro se referem ao Estado. É certo esta separação?
5) Como em nossa vida familiar podemos manifestar que realmente acolhemos o que Jesus revela neste texto bíblico?
4 - ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
VIGÉSIMO PRIMEIRO ENCONTRO
Tema: Mc 11, 15-19: OS VENDILHÕES DO TEMPLO
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes. Quando o egoísmo leva vantagem sobre o serviço, O Templo de Deus deve ser casa de oração.
Mc 11, 15-19
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. Chegando ao Templo de Jerusalém, Jesus faz um gesto violento: expulsa os vendedores e compradores, derruba as mesas dos cambistas e proíbe carregar objetos pelo Templo. Trata-se de um gesto simbólico, feito de propósito, para nos fazer pensar. O Templo de Jerusalém, do jeito que estava funcionando, não passava de uma árvore frondosa, bonita, cheia de folhas, mas sem oferecer fruto para o povo faminto que buscava o Deus da vida. Por isso, num gesto violento de autoridade, Jesus declara encerrado o expediente do Templo e põe fim ao culto da maneira como este estava sendo realizado.
2. Jesus cita dois profetas: Isaías e Jeremias. Isaías dizia que o Templo devia ser uma "casa de oração para todos os povos" (Is 56, 7). A realidade, porém, era outra. Estrangeiros, mulheres e pessoas consideradas impuras não podiam entrar no Templo. Eram excluídas. Jesus quer ensinar que o Templo não pode ser um lugar de exclusão, mas deve estar aberto para todos. Jeremias dizia que o Templo tinha sido transformado num "covil de ladrões" (Jr 7, 11). O mesmo estava acontecendo no tempo de Jesus. Assim, Jesus denuncia o mau uso do Templo. A religião não pode ser usada para explorar o povo nem para sustentar e legitimar os privilégios da classe dirigente.
3. Os chefes dos sacerdotes, os doutores e os anciãos, incomodados pelo gesto de Jesus, decidem matá-lo. Mas eles têm medo do povo que estava maravilhado com o ensinamento de Jesus. À tardezinha, diante das ameaças das autoridades, Jesus sai de novo da cidade e volta para Betânia, a "casa da pobreza".
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Qual o ponto deste texto que mais chamou a sua atenção? Por quê?
2) Qual foi a ação de Jesus contra o Tempo e qual o significado desta ação?
3) Se Jesus aparecesse hoje e entrasse na igreja da nossa Comunidade, o que diria e faria?
4) Você conhece casos de pessoas ou de instituições que se aproveitam da religião para se enriquecer ou para levar uma vida mais fácil? Qual tem sido a sua reação diante destes abusos?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
VIGÉSIMO ENCONTRO
Tema: Mc 11,12-14.20-25: A FIGUEIRA ESTÉRIL
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, as palavras de Jesus sobre a figueira estéril:
Mc 11,12-14.20-25.
Favorecer a reflexão:
O texto da figueira estéril faz nos perceber a importância de produzir bons frutos, boas obras para as pessoas que nos rodeiam. Não podemos deixar que a hipocrisia tome conta da nossa vida familiar e, nem mesmo, da vida pessoal e particular. Olhada de longe, a figueira tão linda, cheia de folhas grandes e verdes parecia querer oferecer abrigo e alimento a Jesus. Mas, de perto, não havia frutos... apenas folhas.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. Este texto está colocado em duas perícopes (vv.11-14 e 20-25) e no meio delas está o texto em que Jesus expulsa os vendilhões do Templo (15-19). Pois é este texto que serve como chave de leitura para melhor entendermos o significado da figueira estéril. O Templo era o centro político, econômico e religioso de Israel. Dá para perceber pelo texto a situação em que se encontrava: vendilhões, uns enganando os outros, medidas adulteradas, exploração, etc. No tocante ao serviço à justiça, à piedade, à aproximação dos homens, especialmente dos pobres, a Deus o Templo era como a figueira. Muito vigor, folhas bonitas e atraentes, mas, frutos de justiça, conversão, mudança de vida, solidariedade, nada!!! Nenhum fruto!!
2. Jesus subiu a Jerusalém onde, de acordo com as profecias e esperanças do povo, deveria irromper o Reino de Deus. O Templo deveria ser lugar de cumprimento da justiça e de salvação. Agora vê-se que o problema maior para esta irrupção do Reino acontecer é o próprio Templo.
3. O que significa que Jesus diga "nunca mais ninguém coma do teu fruto"? O que significa que o evangelista Marcos tenha recolhido este texto no momento da entrada de Jesus em Jerusalém? É claro que a figueira é Israel: símbolo do Templo; árvore da vida universal, que ao invés de estender-se as nações, tornou-se pura decoração; fachada inútil que engana os caminhantes; promete fruto e não tem; anuncia comida e a nega. Esta é a mentira oficial do judaísmo e dos sacerdotes do Templo. Frente a Jesus que se fez pão, o templo se tornou puro engano. O melhor que pode suceder para o bem de todos é que seque, que não engane mais ninguém. Que os humanos saibam que ali não podem saciar a sua fome. Esta é saciada verdadeiramente na opção por Jesus de Nazaré e no seu discipulado.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Diante da vida dos casais e das famílias como são interpretadas as decepções com a outra pessoa (marido ou mulher)?
2) Há casos em que marido e esposa se tornam como uma figueira estéril para o outro? E o casal que se torna figueira estéril para os filhos?
3) Em uma figueira seca há pouco que fazer, mas as pessoas podem, sempre, se regenerar. Como agir diante de famílias que já parecem não mais produzir fruto nenhum?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
DÉCIMO NONO ENCONTRO
Tema: Mc 11,1-11: A ENTRADA MESSIÂNICA DE JESUS EM JERUSALÉM
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes - a entrada Messiânica de Jesus em Jerusalém".
Mc 11,1-11
Favorecer a reflexão:
Destacar palavra ou frases do texto que chamaram a atenção ou um instante de silêncio para a interiorização pessoal ou ainda para a imaginação mental da cena que o texto sagrado apresenta.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. Os judeus estavam sob o domínio do Império Romano e pensavam que o Messias esperado, seria aquele que iria libertar Israel.
2. Jerusalém era a cidade em que se concentrava todo o poder do Império naquela região. Ali morava Pilatos, Herodes, Caifás, Anás... Todos os homens poderosos e influentes moravam naquela cidade. Lá também ficava o templo, que era o centro da religião, da economia e da política também.
3. Muitos profetas já haviam falado sobre o Messias e o povo esperava que quando o Messias viesse Ele cumprisse todas as profecias. Isaías por exemplo, afirmou que uma Virgem daria luz ao Messias (Is 7,14). O profeta Zacarias anuncia: "Exulta de alegria, filha de Sião, solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso; ele é simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta".
4. O catecimesmo da Igreja Católica nos ensina: "Embora sempre se tivesse subtraído às tentativas populares de fazê-lo rei. Jesus escolhe o momento e prepara os detalhes de sua entrada messiânica na cidade de "Davi, seu pai" (Lc 1,32). (CIC§559).
5. Portanto era necessário que Jesus se mostrasse como o messias. Ele pensou em tudo. Ele pediu que se pegasse o jumentinho. Ele entrou na cidade da mesma forma que a professias de Zacarias dizia. Aquilo para o povo era a glória, mas para os poderosos era um motivo de preocupação, porque eles tinham o poder sobre o povo e temiam perder esse poder. Ali naquele momento Jesus traçou seu caminho. "É aclamado como o filho de Davi, aquele que traz a salvação ("Hosana" quer dizer salva-nos!", "dá a salvação!") Ora, o "Rei de Glória" (Sl 24,7-10) entra em sua cidade "montado em um jumento" (Zc 9,9)... (CIC§559)
6. Esse é um momento glorioso porque agora de uma maneira pública Jesus assume claramente que é o Rei, e o povo, ainda que meio sem entender o que se passava o assume como Rei. Só que Ele é Rei não do jeito que os judeus pensavam, mas do jeito que era a vontade de Deus. Não era um Rei político, não queria títulos, mas queria seus Filhos. "...não conquista a Filha de Sião, figura de sua Igreja, pela astúcia nem pela violência, mas pela humildade que dá testemunho da Verdade... (CIC§559).
3- PARTILHA
PERGUNTAS ORIENTADORAS PARA O DIÁLOGO:
1) Jesus entra triunfalmente em Jerusalém, sua cidade, e ramos de oliveira, mantos e vestes são colocados no caminho. O povo aclamava, "hosana, bendito o que vem em nome do Senhor...." (Mc 11,10). Qual a semelhança disso com os nossos casamentos? Com as entradas triunfantes na Igreja?
2) Muitos dos que saudaram Jesus na sua entrada messiânica em Jerusalém, com o "Hosana, o Filho de Davi", dias depois estavam no meio da multidão gritando juntos com os outros: "Crucifica-o". Nos casamentos também a saudação dos amigos pode se transformar em "separem-se, divorciem-se". Por que isso acontece?
3) O Texto de hoje termina com esta constatação: "Jesus entrou no templo em Jerusalém e observou tudo e saiu para Betânia...." (Mc11,11). Se Jesus entrasse em nossas casas (famílias) o que teria ele hoje para observar? Será que permaneceria ou seguiria adiante?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
DÉCIMO OITAVO ENCONTRO
Tema; Mc 10,46-52: A SAÍDA DE JERICÓ
(todos os casais devem dispor de sua Bíblia)
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo. (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, os casais recitam a Oração do encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto acerca do à saída de Jericó
Mc 10,46-52
Favorecer a reflexão, muito ajuda silenciar por alguns instantes e, de olhos fechados, imaginar algumas cenas do texto. Como em outros textos anteriores, Jesus está em viagem para Jerusalém, já está próximo. Podemos "ver" Jesus e seu grupo deixando a cidade... eles caminham. É até possível pensar em um cego atento em ouvir o que se passa, pois não consegue ver. Nossa imaginação nos ajuda a "ver" que alguém se aproxima dele... e lhe fala que Jesus está a passar. Sua reação é desesperada: grita, chora, deseja as atenções de quem é maior que sua cegueira. Concentrados nas imagens que o texto nos permite criar, podemos reconhecer que alguém o toma pela mão, leva-o até Jesus. Nossos "olhos" podem se fixar no olhar de Jesus: compaixão, solidariedade e muito afeto por aquele homem sofrido. Também o semblante do cego se deixa ver: esperança e confiança de quem entrega seu futuro nas mãos daquele Homem de quem falam coisas maravilhosas.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES
Seguem algumas indicações para interpretação. Trata-se apenas de "sugestões". Aí estão apenas para oferecer algumas pistas que encaminham a partilha entre os participantes. É esta reflexão partilhada sobre a Palavra de Deus que realmente conta.
1- "Chegaram a Jericó...a sair de Jericó estava sentado à beira do caminho, mendigando, o cego Bartimeu" (v. 46). A informação da chegada a Jericó, e também a saída da cidade, pode parecer apenas um detalhe narrativo. Mas é mais do que isso. Não se deve esquecer que Jesus e os discípulos estão a caminho de Jerusalém. Lá ele vai encontrar a cruz. Jericó está bem próximo de Jerusalém (25 km). É o último milagre que Jesus vai realizar. E a cegueira não é apenas um problema de visão: o cego não tem direção para sua vida, não sabe aonde vai, não é capaz de compreender a proximidade do Filho de Deus.
2- "Quando ouviu que era Jesus... começou a gritar: ‘Filho de Davi, Jesus, tem compaixão de mim\'" (v. 47). Chamar Jesus de "Filho de Davi" faz recordar as características do rei Davi: um rei de Israel, um grande guerreiro, que no Antigo Testamento construíra um reino de grandeza, de triunfos, de muitos poderes. Fora um rei de muitas conquistas. Chamar Jesus com aquele título indicava o modo como o homem cego (sem direção para sua vida) entendia a pessoa de Jesus: alguém cujo poder garantiria a vitória sobre sua miséria humana (cegueira visual) e existencial (sem sentido para a vida). Para aquele cego Jesus é um homem de grandes poderes. Aliás, é só observar que primeiro o chama de "Filho de Davi" (grandeza, poder), somente em segundo lugar pronuncia seu nome, isto é Jesus. Mas é preciso lembrar que estão em caminho para Jerusalém. E lá o poder de Jesus não se mostrará em forma de poderio político ou militar. Sua cartada decisiva é a capacidade de amar até mesmo diante da cruz. Eis sua grandeza.
3-"Jesus disse: ‘Chamai-o\'. Chamaram o cego, dizendo-lhe: ‘Coragem! Ele te chama\'. Deixando o manto, deu um pulo e foi até Jesus" (vs. 49-50). Ainda que o cego pense em Jesus mais em termos de prestígio (Filho de Davi) e de benefícios de que necessita, a ocasião serve para um primeiro diálogo. Ele deixou seu manto e "pulou" até Jesus. O detalhe revelador é o manto: não é apenas veste. Indica também conceito elevado de si, algo como orgulho pessoal. O cego despojou-se de seu orgulho e ciente de sua pequenez, apresentou-se diante do Senhor sem ambições de poder. Por isso mesmo pôde aproximar-se de Jesus. Para o cego atender ao chamado de Jesus não foi apenas uma aproximação física. Foi-lhe pedido mais: que renunciasse a si mesmo. Justo ele, um mendigo.
4-"Então Jesus lhe disse: ‘Que queres que te faça?\' O cego respondeu...: ‘Rabbûni, que eu possa ver \'" (v. 51). A pergunta de Jesus é a mesma que ele fizera a Tiago e João, quando lhe pediram para ocupar um a sua direita e outro a sua esquerda. O cego sabe o que quer: quer ver; mas mais do que isso, quer dar uma direção à sua vida. E já não chama Jesus de "Filho de Davi". Agora que está diante dEle, agora que o encontrou percebe que não está diante de grande conquistador nacionalista. ‘Rabbûni\' em aramaico quer dizer: "Meu Senhor", título que se dava ao próprio Deus. Agora Jesus não era apenas um milagreiro que curaria sua deficiência visual. Seria sim quem lhe conferiria um sentido para o seu caminho.
5-"Jesus lhe disse: ‘Vai, tua fé te salvou\'. E imediatamente recuperou a vista e o seguia pelo caminho" (v. 52). Vale observar que Jesus não faz nenhum gesto de cura. Nem fala de cura. Ele, porém, menciona a atitude de fé daquele cego. Jesus não fala que a fé o "curou". Curar é um ato físico. "Salvar" tem um alcance muito mais amplo e profundo. O evangelista pretende que seus leitores não busquem o Senhor Jesus somente para necessidades de milagres. Aliás, o sentido do milagre acontecido com o cego é explicitado imediatamente: agora que ele pode "ver", tem condições de seguir Jesus pelo caminho. Mas era o caminho para Jerusalém. Ou seja, os milagres, quando acontecem, são para nos ajudar a abraçar a própria cruz. Foi esta a experiência do cego. Sua maior cegueira não era a visual. Era a incapacidade de seguir Jesus no caminho para Jerusalém.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) O cego não sofria de uma cegueira apenas visual. Sua vida estava sem direção, vazia de sentido. Não tinha a quem seguir. E sua mendicância era mais do que indigência material ou social. Bastaria ao cego a simples recuperação física da vista? Bastaria às nossas famílias a superação dos problemas econômicos?
2) O cego gritava a Jesus com o título de Filho de Davi. Num primeiro momento ele interpretava a pessoa de Jesus como alguém de prestígio e de grandes triunfos, capaz de admiráveis prodígios. Lá em casa, nas nossas famílias, como é que Jesus é interpretado? Temos semelhanças com o cego?
3) O cego deixou seu manto e foi até Jesus. Despojado, dialogou com Ele. O que o cego, que deixou seu manto, recomendaria aos casais que nos dias atuais querem se encontrar com o Senhor?
4) O cego, tendo recobrado a vista, "seguia Jesus pelo caminho". Foi sua resposta ao Senhor. Que respostas nossas famílias dão ao Senhor que as agracia?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
DÉCIMO SÉTIMO ENCONTRO
Tema: Mc 10,35-45 PEDIDO DE TIAGO E JOÃO
(todos devem dispor de sua Bíblia)
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo- pagina inicial. (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto acerca do pedido de Tiago e João
Mc 10,35-45
Favorecer a reflexão, muito ajuda silenciar por alguns instantes e, de olhos fechados, imaginar algumas cenas do texto. Como em outros textos anteriores, Jesus está em viagem para Jerusalém. Podemos "ver" o grupo em viagem. Naquele tempo seguiam a pé. Nossos olhos "vêem" que a certo momento os dois irmãos aproximam-se de Jesus porque querem lhe falar. O assunto parece sério, porque até diminuem o ritmo dos passos. Falam, gesticulam... os gestos até mostram que eles estão pensando em si mesmos, revelam que pedem algo em seu favor. Nem voltam seus olhos aos outros. Nossa imaginação pode ainda nos ajudar a "ver" a face surpresa de Jesus: o tema anterior tinha sido a cruz; logo a seguir eles pedem privilégios. Provavelmente tenha se desapontado. Parece que os discípulos nada entenderam do que lhes fora ensinado....
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
Seguem algumas indicações para interpretação. Trata-se apenas de "sugestões". Aí estão apenas para oferecer algumas pistas que encaminham a partilha entre os participantes. É esta, a reflexão partilhada sobre a Palavra de Deus, que realmente conta).
1- "Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e lhe disseram: "‘Mestre, queremos que faças por nós o que te vamos pedir\'" (v.35). A menção de Tiago e João não é fortuita; ou seja, não é apenas para referir um fato acontecido com dois dos discípulos. Vale observar como estes dois apareceram até agora: foram chamados (1,19); estavam com Jesus com Ele foi à casa de Simão (1,29); faziam parte do grupo do Doze (3,17); junto com Pedro, estavam com Jesus quando ressuscitou a filha de Jairo (5,37); subiram com Jesus ao monte Tabor quando Ele se transfigurou (9,2). Em outras palavras, participaram intimamente do convívio com Jesus. Mas ainda prevalecia o seu desejo: "Queremos que faças por nós o que te vamos pedir". Era o mestre a serviço deles. Era um relacionamento de conveniência e de interesse. Até a linguagem demonstra uma relação desvirtuada: ‘Queremos que faças por nós...\'.
2- "Concede que nos sentemos, na tua glória, um à tua direita e o outro à tua esquerda" (v. 37). O evangelista Marcos parece que conhece os seus leitores. Como Tiago e João, também os leitores do seu evangelho facilmente podem ser dominados pelo desejo de seguir Jesus, porém sem as experiências de cruz. Ele lhes assegurara a amizade (3,13) e a vitória da cruz; eles porém desejavam o triunfo glorioso, sem renúncias. Um pretendia a direita e o outro a esquerda de Jesus, quando Ele estivesse em estado de glória. Neste caso o sentido de glória vai associado ao exercício de grandeza. "Sentar-se" ao lado não é uma mera posição física. De uma parte significa superioridade sobre os outros (estariam imediatamente ao lado de Jesus glorioso). Na pretensão de um estar à direita e outro à esquerda havia um anseio de privilégio.
3-"Os outros dez... começaram a ficar zangados com Tiago e João. Jesus disse: "Sabeis que os que são considerados chefes das nações as dominam, e os seus grandes fazem sentir seu poder" (vs. 41-42). Vale observar como foi traduzido: "começaram a se zangar". Em outras palavras: a indignação começou e tendeu a se intensificar. E isso aconteceu com todos os outros dez. Ou seja, dois deles manifestaram suas pretensões de grandeza; mas os outros dez também queriam o mesmo. Estava para se instaurar a divisão entre os discípulos. Justamente os discípulos de Jesus, Ele que não quer "ser considerado" superior. Tampouco pretende dominar e, muito menos, quer "fazer sentir" sua potência dominadora. Ele não é igual aos "chefes das nações" e seus discípulos, se estão dispostos a segui-Lo, não podem pretender nenhuma superioridade.
4-"Entre vós não deve ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós seja o escravo de todos" (vs. 43-44). O que parece ser legítimo em um contexto de competição ("querer ser grande"), não tem nenhuma grandeza para Jesus. Sua lógica é bem outra ("entre vós não deve ser assim"). Nos pensamentos do Filho de Deus a grandeza legítima é a que reconhece o valor do outro. Quem ajuda o outro ("servir") faz crescer a si mesmo. Quem se faz servo vive para quem ama. Quem pretende triunfo quer admiração para si. O centro é o próprio eu. Com a frase "seja escravo de todos" Jesus não pretende que alguém se integre a uma dinâmica de "escravidão". Aqui a palavra está associada a "servo". O servo oferece sua liberdade a quem serve.
5-"Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos" (v.45). O título "Filho de Homem" é uma forma dos evangelistas se referirem a Jesus como aquele que salva através da cruz e ressurreição. Jesus não veio participar da história humana para tirar algum proveito. A expressão "dar a vida em resgate" retrata o sentido de sua vinda e vida. Resgatar está associado a "desamarrar", a "desacorrentar" a humanidade de tudo o que golpeia e desfigura a pessoa humana, desde dentro e desde fora. E seguir Jesus significa aceitá-lo humilde, sem pretensões de projeções pessoais, sem demonstrações de força. Viver para os outros não é mostrar as próprias potências, mesmo que seja em favor. É antes oferecer a própria humildade para construir os outros.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Tiago e João se aproximaram de Jesus e lhe disseram: "Mestre, queremos que faças por nós o que te vamos pedir." Como soa aos nossos ouvidos um pedido nestes termos? Aconteceu já de nos dirigirmos a Deus nestes tons? É uma linguagem afeiçoada e amorosa? Não há o risco de algo semelhante na vida matrimonial e familiar?
2) Enquanto não havia cruz era fácil seguir Jesus. Depois as experiências de seguimento se tornaram mais exigentes. Recordam experiências difíceis da vida matrimonial? Elas ajudaram a crescer? O desejo de grandeza faz bem ao matrimônio?
3) Os outros dez discípulos começaram a se indignar com Tiago e João. O erro estava nos dois ou nos dez? A vida familiar requer sempre renovadas capacidades de compreensão recíproca. Compreender e acolher o outro faz mais bem a quem compreende o a quem é compreendido?
4) "O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir...". Jesus era um homem livre, ou um homem resignado? Querer bem ao outro(a), perdoando-o(a) é liberdade ou resignação?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
DÉCIMO SEXTO ENCONTRO
Tema: Mc 10,17-22 ENCONTRO DE JESUS COM O JOVEM RICO
(todos devem dispor de sua Bíblia)
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo. (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, os casais recitam a Oração do encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto do encontro de Jesus com o Jovem rico
Mc 10,17-22
Favorecer a reflexão, muito ajuda silenciar por alguns instantes e, de olhos fechados, imaginar algumas cenas do texto. Como em outros textos anteriores, Jesus está em viagem para Jerusalém. Podemos "ver" o grupo em viagem. Naquele tempo seguiam a pé. Nossos olhos "vêem" que em certa encruzilhada um homem bem vestido, elegante e simpático, se aproxima. Respeita tanto a figura de Jesus que chega a ajoelhar-se. Assunto: a vida eterna. O que fazer para "conquistá-la?" Nossa imaginação nos ajuda a perceber que os dois dialogam. A conversa se estende. Os Doze, que já há tempos estão com Jesus, observam. Olham para Jesus, depois para o jovem. Depois entreolham-se. Estão surpresos com a seriedade do diálogo. Percebem quanto o Mestre fala com afeição àquele jovem. Mas também reconhecem o rosto do rapaz: ao início era simpático, alegre. Aos poucos sua fisionomia se entristece. Está decepcionado. Seguir a Jesus não é como ele queria. Então se levanta e vai: cabeça baixa, gestos de incompreensão, está nervoso.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES
Seguem algumas indicações para interpretação. Trata-se apenas de "sugestões". Aí estão apenas para oferecer algumas pistas que encaminham a partilha entre os participantes. É esta, a reflexão partilhada sobre a Palavra de Deus, que realmente conta).
1- "Ao retomar o caminho, alguém correu e ajoelhou-se diante dEle...: ‘Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?\'" (v. 17). Não se sabe o nome, nem a origem. É "alguém". Isso indica que a reflexão de Jesus vale para qualquer um que se debata com questão semelhante. Ele "correu" até Jesus: sinal da urgência do problema que o inquietava. "Ajoelhou-se". Também um leproso fizera o mesmo gesto. Isso faz pensar na grande angústia do jovem. Ao mesmo tempo, por ajoelhar-se, ele reconhece que em Jesus há uma palavra de grande autoridade e superioridade. Também o tema é algo de muito sério: como evitar que a morte seja o fim de tudo? Embora nada lhe falte na vida, todavia a questão permanece sem resposta. Jesus é um "mestre bom". A forma como o evangelista escreveu revela que, neste caso, a referência não é tanto sobre sua "bondade", mas sobre sua competência. Ou seja, é "capaz" de resolver o seu problema.
2 - "Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus... não mates, não roubes, não cometas adultério, não..."(vs. 18-19). Como já se mencionou no parágrafo anterior, o sentido de "bom" não se refere propriamente a bondade; refere-se mais a capacidade, a força pessoal. Por isso mesmo a resposta de Jesus: "Somente Deus pode dar solução ao seu drama. Não é, pois, o homem que conquista a vida eterna com suas próprias possibilidades. Mesmo assim Jesus lhe recorda alguns mandamentos que todo o pai judeu ensinava a seus filhos. Trata-se do respeito e honradez aos outros. Ninguém tem o direito de causar injustiça ou dano pessoal a outro.
3- "... Mestre, tudo isso tenho guardado desde minha juventude" (v. 20): Novamente Jesus é chamado de Mestre. Isso faz pensar que o homem aceita, então, seu ensinamento. Mas vai além: ele já cumpria desde havia tempos o que os mandamentos recomendavam a respeito do próximo. Ele era um homem reto nas intenções e comportamentos. Ele observava a lei religiosa daquele tempo. Mesmo assim algo o inquietava, pois mesmo cumprindo as exigências, ainda assim sua consciência o deixava inseguro. Por isso fora à procura da palavra de Jesus.
4- "Fitando-o, Jesus o amou e disse: ‘Uma coisa te falta: vai vende o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me\'" (v. 21). Mesmo tendo cumprido, desde a juventude, muitos mandamentos permanecia um problema sério: não é suficiente tão somente evitar o mal aos outros ("não mates, não cometas adultério, não roubes..."). Isso não afirma uma preocupação real com o bem dos outros. Aquele homem parecia não estar inquieto com a dor dos que sofriam. Não se lhe apresentava a questão da solidariedade e da justiça. Por não ter feito o mal, não lhe estava já assegurada a vida eterna. Faltava-lhe ainda fazer o bem. Por isso mesmo lhe faltava um tesouro no céu, muito embora dispusesse de muitos bens na terra. Em termos de amor aos outros ele ainda precisa crescer muito. Para tanto, e para seguir Jesus era preciso renunciar a toda a ambição egoísta de dinheiro, de posição social e de poder, que são fatores de injustiça. Claro a acumulação de bens proporciona segurança material, mas não no plano do espírito e do coração; vale dizer, não no plano da interioridade humana. Por isso mesmo o homem rico estava angustiado. Na realidade, quem vive apenas para ter dinheiro, não poderá fazer de sua vida um dom a Deus e aos outros. Na realidade, viver para acumular faz muito mal ao homem e aos seus irmãos. Não será possível estar em paz com Deus.
5- "Ele, porém, entristecido com esta palavra, saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens" (v.22). Tudo faz pensar que aquele homem não era uma pessoa maldosa, com intenções ambíguas. Ele não atuava com maldade em relação aos outros. Mas o convite de Jesus em nada lhe agrada. Saiu triste. As suas riquezas na terra lhe impediam de ter um "tesouro no céu". Elas absorviam seu coração, sua mente, sua capacidade de amar. Tomavam inteiramente seu tempo, sua inteligência e seus afetos. Ele vivia para elas. Para ele era mais relevante seu capital que o bem dos outros. Seu coração estava dividido. Ele queria seguir Jesus sem precisar mudar nada em sua interioridade.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) O homem procurou Jesus, ajoelhou-se diante dEle, reconheceu sua capacidade... Parece que era bastante religioso. Em que Deus ele acreditava? Nosso modo de crer hoje é muito diferente? E isso tem desdobramentos sobre nossa vida profissional e familiar?
2) Hoje há quem trabalha muito. E o faz porque precisa. Outros trabalham muito porque pretendem acumular ou consumir. Para o homem do evangelho as "muitas riquezas" comprometeram severamente o seguimento a Jesus e as relações com Ele. Os "sonhos de consumo" do nosso tempo podem prejudicar as relações familiares? Que recomendações receberiam de Jesus se o encontrassem?
3) Para o homem do evangelho as riquezas lhe faziam mal. Afastavam-no da vida eterna. Mas hoje é impossível viver sem dispor de algum dinheiro, ainda que seja pouco. Com ele se pode fazer o mal, mas também se pode fazer um bem imenso. Em quais aspectos da vida familiar e matrimonial o "ter", ou "querer ter", ameaça a vida matrimonial e familiar?
4) Quando o evangelho requereu de nós mudanças e conversão, quais foram as nossas reações? Na vida familiar e matrimonial é possível um crescer espiritualmente sem o outro? Como casal, evangelizamo-nos reciprocamente?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
DÉCIMO QUINTO ENCONTRO
Tema: Mc 9,42-50: O ESCÂNDALO E A PAZ NA COMUNIDADE
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, as palavras de Jesus acerca do escândalo o texto da narrativa a respeito das palavras de Jesus a respeito do escândalo e da paz na comunidade
Mc 9,42-50
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto:
1. Jesus e seus discípulos estão em casa, na cidade de Cafarnaum. Seu projeto é ir com eles até Jerusalém. Em casa estão juntos, em comunidade. Jesus lhes ensina. Seus ensinamentos são muito importantes porque estão entre os últimos de sua vida pública. Dias depois vão para Jerusalém. Lá sabemos o que acontecerá.
2. Podemos, portanto, "ver" Jesus sentado em um dos compartimentos da sala, reunido com os discípulos e animado encontro de ensinamento. Ele fala, eles perguntam; ele explica, eles apresentam novas perguntas e o encontro se estende...
3. Nossa imaginação pode nos colocar entre os participantes do grupo. Podemos fazer parte daqueles ouvintes que se deixam ensinar por Ele. Aquele grupo de discípulos parece surpreso com a seriedade da temática e com a grandeza do testemunho que podem dar.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. "Se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, seria melhor que lhe prendessem ao pescoço a mó que os jumentos movem e o atirassem ao mar" (v. 42). A imagem é realmente muito forte. O evangelista quer salientar ao seu leitor a extrema gravidade do comportamento de quem desvia alguém da fé e do seguimento de Jesus Cristo. Fatos desta natureza se verificavam entre as primeiras comunidades cristãs. O verbo "escandalizar" significa confundir na fé, distanciar de Jesus; em outras palavras se refere a alguém cujos comportamentos e contratestemunhos influenciam para que outros, mais fracos, se desviem da amizade com Cristo. A "mó" é um tipo de pedra pesada e dura que usavam para triturar grãos (trigo e azeitona). Amarrada ao pescoço de alguém, e este ser lançado ao mar, indica um destino trágico e irreversível: vai para o fundo e de lá jamais será retirado. Para um judeu, não ser sepultado na terra de seus pais era a pior desgraça que poderia ocorrer em sua história pessoal. Com estas palavras Jesus não está ameaçando ninguém. Ele pretende, com este jogo de imagens, ressaltar quão grave é desviar alguém do convívio com Ele.
2. "E se tua mão te escandalizar, corta-a: melhor é entrares mutilado para a Vida do que, tendo as duas mãos..." (v. 43). Agora não se trata de alguém desviar um outro, mais fraco. É também realmente sério e real o risco de alguém afastar a si próprio de Jesus. Também neste caso a mensagem é muito exigente: é preciso extirpar tudo o que em si mesmo ameaça a proximidade do discípulo com seu Senhor. Evidentemente, não se trata de uma interpretação literal. Jesus não quer que o discípulo sirva-se de uma serra, ou qualquer outro objeto, e mutilando-se, separe a mão do corpo. A mão é a figura simbólica da ação ou atividade. É preciso, pois, separar-se decididamente daquelas ações ou atividades que se contrapõem ao seguimento. É a este tipo de "corte" que o texto se refere. Se a maneira de agir coloca em perigo este relacionamento é preciso mudar imediatamente, mesmo se isso custar grandes renúncias. Com sua mão (atividade) Jesus fez somente o bem: curou e soergueu pessoas humilhadas e abatidas (Mc 1,30; 5,41; 7,33, etc). O mau proceder equivale a humilhar o outro, especialmente o mais fraco, e dominá-lo.
3. "E se teu pé te escandalizar, corta-o: melhor é entrares com um só pé para a Vida do que... seres atirado na Geena" (v. 45). A expressão "entrar para a Vida" equivale a entrar em comunhão com Jesus; significa deixar-se conduzir, nos comportamentos e nas ações pelo seu Espírito. Estando em comunhão com Jesus, fazendo as escolhas que Ele faz, o discípulo confere sentido pleno à sua existência neste mundo e no futuro. A Geena era um vale próximo a Jerusalém. Lá se jogavam os lixos da cidade. E se os queimavam. Aquele lugar é a imagem da destruição definitiva. O pé está em relação com caminho, com comportamento. Não se trata, pois, de "cortar fora o pé", mas de mudar decisivamente de comportamento, ou de caminho, se o atual "escandaliza", ou seja, se corrompe a pessoa.
4. "E se teu olho te escandalizar, arranca-o...(vs. 47-48). O olho representa simbólicamente os pensamentos, os desejos e as aspirações do discípulo. O olho o guia para a atividade e elege o caminho (comportamento). Jesus não aconselha a deformar a face arrancando os olhos. Mas é preciso abandonar sem rodeios e de modo taxativo todos os pensamentos, aspirações e desejos que se contrapõem à sua palavra e ao reinado de Deus que Ele traz. A quem não se decide por esta mudança a conseqüência é a destruição. O verme e o fogo que não se extingue retratam a força de tal destruição. Ou seja, é uma destruição permanente. Também aqui Ele não está formulando qualquer ameaça. Mas quer sim ilustrar quanto é grave para o futuro do homem/mulher querer segui-lo sem mudança de coração. Seria um "escândalo" a si mesmo.
5. "Pois todos serão salgados com fogo" (v. 49). Esta é uma sentença que se afigura muito estranha para a nossa mentalidade. Ninguém "salga com fogo". Nem ao tempo do escrito era assim. Como "cortar a mão" não tem um sentido literal, acontece o mesmo aqui. O sal, porque impedia que os alimentos se corrompessem, era visto como símbolo do que é durável, do que é valioso, do que conserva. Já o fogo era visto como elemento que destrói, mas em outros casos também purifica. Por exemplo, o ouro que passa pelo fogo torna-se puro. É claro, toda a purificação exige renúncia, sacrifício, despojamento. É uma purificação que conserva (sal) a fidelidade ao seguimento de Jesus. Por isso mesmo, neste versículo, sal (conservar) e fogo (purificar) se integram. "Cortar a mão", "cortar o pé", "arrancar o olho", são sacrifícios e renúncias purificadoras que tornam duradouro o compromisso com Jesus.
6. "...Tende sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros" (v. 50). Já foi explicado que o sal, porque impedia a corrupção dos alimentos, porque os conservava, era símbolo do durável e do valioso. Os judeus em seus sacrifícios no Templo usavam sal para simbolizar a permanência da aliança com Deus. Com a sentença "tende sal" Jesus pretende que seus discípulos conservem e façam duradoura a relação com Ele, mesmo que para isso seja necessário "purificar-se no fogo", ou "cortar a mão", etc. Quando os discípulos qualificam sua relação pessoal com Jesus então poderão experimentar em profundidade as melhores vivências de paz.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) A palavra "escândalo", falando literalmente, significa pedra na qual as pessoas tropeçam. Escandalizar equivale a fazer alguém tropeçar e cair, isto é, fazer alguém declinar ou até mesmo abandonar a fé. Os "escândalos", podem vir de fora ou de dentro das nossas famílias. Nossa vida de casal ajuda os filhos a crer? Nossa vida de marido e esposa ajuda os filhos a perceber que este amor procede de Deus?
2)"A "mão" é símbolo das ações. O "pé" refere-se ao caminho que alguém segue, isto é, ao comportamento. Já o "olho" alude à inteligência e desejos. Todos podem "escandalizar". São escândalos que vêm desde o interior da pessoa. Qual o melhor modo para que um cônjuge ajude o outro a arrancar o que o afasta da amizade com Jesus? Seria este um meio de um santificar o outro?
3) No começo da vida matrimonial a relação é muito marcada por sentimentos de paixão. Com o passar do tempo a convivência exige também silêncio, também renúncias, também reflexão. É o processo de conservação (sal) e purificação (fogo). Como encontrar força interior para compromissos tão exigentes?
4) No último versículo Jesus recomenda aos discípulos que "tenham sal". Assim viverão em paz. Partindo do conjunto destes versículos uma família que está em paz é uma família sem problemas ou dificuldades?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
DÉCIMO QUARTO ENCONTRO
Tema: Mc 9,30-37: QUEM É O MAIOR?
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto da narrativa sobre a respeito das palavras de Jesus acerca de "quem é o maior"
Mc 9,30-37
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto:
1. Jesus está em caminho para Jerusalém. Podemos "vê-lo", juntamente com os discípulos, atravessando vilas, suplantando montanhas, descendo por vales. Está em viagem.
2. É até possível "observá-lo" diminuir o ritmo da caminhada porque está empenhado em ensinar os discípulos. O tema é muito exigente: a cruz de cada um. É algo difícil para eles aceitarem. Por isso não compreendem.
3. Até "vemos" seu rosto marcado por dúvidas e temores. Nós os "percebemos" entrando em uma casa. O ensinamento continua; parece que se alonga. Sim porque eles tinham debatido fortemente: "quem dentre eles seria o principal?". Disputa de liderança.
4. Está ao alcance da nossa imaginação "perceber" Jesus chamando uma criança, ele a toma nos braços. Agora ela está no meio do grupo. E Jesus se põe a ensiná-los. Estão reflexivos.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. "...Atravessava a Galiléia. Não queria que alguém o soubesse. E ensinava os seus discípulos..." (v. 30). A Galiléia era uma região, algo semelhante ao "sudoeste". Foi naquela região que Jesus chamou os discípulos, anunciou seu Evangelho, operou seus milagres. Lá as multidões sempre o procuravam. Mas agora Jesus, atravessando a região, não quer ser reconhecido. Ocupa-se a ensinar seus discípulos. Nesta fase de sua atividade, já se encaminhando para o final, "ensinar" os discípulos é mais urgente do que encontrar as multidões ou operar milagres.
2. "O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens..., três dias depois ele ressuscitará... Eles, porém, não entendiam esta palavra e tinham medo de interrogá-lo" (vs. 31-32). Nas linhas anteriores salientou-se que ensinar os discípulos era mais significativo, naquele momento, do que anunciar e/ou fazer milagres. O motivo é simples: por mais que Ele seja capaz dos maiores milagres, nem o Pai, nem Jesus querem ser vistos como "poderosos". Quem tem poder ama com a força. Quem é humilde ama com o coração. E Jesus quer falar de um Deus misericordioso, humilde e amoroso. Nem mesmo sendo "entregue" nas mãos dos "homens" para ser morto, nem mesmo esta desgraça o fará fugir do projeto de Deus de vencer a morte. Para os discípulos este era um tema de difícil compreensão, pois seu modo de entender Deus e a salvação estava associado a triunfo, sucesso, grandeza, nada de dificuldades.
3. "Em casa lhes perguntou: ‘Sobre o que discutíeis no caminho?" Ficaram em silêncio... tinham discutido sobre quem era o maior" (vs. 33-34). O termo "casa" não tem apenas um sentido de abrigo. É muito mais a indicação de lar, de um lugar de relações de comunhão entre os diferentes, de igualdade, de intimidade. No caminho os discípulos tiveram medo de perguntar a Jesus sobre a morte/ressurreição. Mas ele não teme perguntar sobre as contradições dos seus ("discutíeis"). A imediatez da pergunta faz pensar que o tema era preocupante: sobre o ensinamento de Jesus mantiveram-se calados. Mas acerca de outras questões, ao que parece, houve "discussão". O silêncio dos discípulos à pergunta de Jesus sugere que havia uma questão embaraçosa. Eles sabiam que seu debate contrariava o que Ele lhes ensinara. Não queriam aceitar algumas posições de Jesus. O ponto de vista de Jesus (cruz) e aquele dos discípulos (o maior) são irreconciliáveis. E onde um pretende ser maior que os outros, surge logo a discussão, o debate, o confronto, a divisão. Até mesmo entre os discípulos de Jesus.
4. "Então ele se sentou, chamou os Doze e lhes diz: ‘Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos" (v. 35). Jesus se "sentou". Para os padrões da época este era um sinal de autoridade, do mestre que está para ensinar algo importante. É também sinal de estabilidade. O verbo usado em grego indica "voz alta", ou seja, os discípulos, embora estivessem na mesma casa, estavam distantes. Não se tratava de uma distância física, mas interpessoal. Sua ambição de ser "o maior" os fazia distantes entre si e distantes de Jesus. Então Ele lhes "diz" (verbo no presente). Com esta forma verbal, o evangelista quer dizer que a questão ainda permanece entre os leitores do evangelho, os de ontem e os de hoje. Ante o silêncio do grupo (falta de diálogo), Jesus não age com severidade. Ao contrário, oferece-lhes uma nova oportunidade de reflexão e de escolha. É só observar: "Se alguém quiser...". Para Jesus "grande" não é o superior sobre os outros, mas é quem se dispõe a ser servidor. Isso supõe assumir renúncias, despojar-se de pretensões interesseiras. Esta é a forma de ser semelhante a Jesus que preferiu a cruz. O "primeiro" é aquele que serve; isso supõe muito respeito pelo outro. Na realidade, ele deseja que todos estejam entre os primeiros ("seja o servo de todos").
5. ""Depois tomou um menino, colocou-o no meio deles, e pegando-o nos braços disse..." (v. 36). Aparece agora um outro personagem na casa em que se encontra Jesus: o "menino". Este termo pode designar tanto uma criança quanto um pequeno criado, sem expressão no contexto de um grupo. É interessante perceber que a este Jesus não precisou "chamá-lo". Já estava próximo de Jesus, estava com ele. Não havia distância com Jesus. Isso sugere, ele pensava como Jesus, não tinha pretensões de superioridade ou grandeza. Colocado no "meio" deles aparece como centro de referência. O "menor" tem mais condições de ser servidor. Além do mais, por colocá-lo no meio dos discípulos, Jesus deixa entrever como Ele deseja que sejam suas comunidades: que no centro estejam os "grandes", isto é, os mais humildes. Jesus o "abraça". É a ternura de Deus pelos menos expressivos, é o carinho de Deus por aqueles que se deixam amar por Ele.
6. ""Aquele que acolher um destes meninos por causa do meu nome, a mim acolhe; e quem me acolhe... acolhe aquele que me enviou" (v. 37). O texto fala de acolher "um destes" meninos. Não tem um sentido quantitativo (apenas um). É antes indicação do modo de ser de quem não tem ambições de superioridade. A expressão "por causa do meu nome" equivale a "como se fosse". "Ou seja, acolher um pequeno, alguém que conserva as atitudes de servidor", é como se fosse acolher Jesus. Sim porque ele, Jesus, reconhece-se unicamente como servo. "Acolher" não significa apenas receber com cortesia ou amabilidade. Muito mais, refere-se aceitar a identidade, as características do outro e deixar-se inspirar por elas. Se Jesus se faz servidor, também deverá sê-lo o discípulo de Jesus. E por este caminho é possível suplantar os anseios de grandeza, de triunfo, de vaidades. Superando estas tentações é possível vencer as divisões, as controvérsias, as invejas, os rancores.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Os evangelistas deixam claro que Jesus, a partir de um certo momento de sua vida, preocupou-se muito em ensinar seus discípulos. A eles custava aceitar que Deus era humilde e se fizera pequeno. Os anseios de grandeza, de triunfo, de vida cômoda e bem sucedida fazem bem à vida familiar e matrimonial? São freqüentes os casos de famílias que face a dificuldades tornam-se mais unidas. Como explicar isso?
2)"Vez por outra, ouve-se alguém dizer: "Não sei onde encontrei tantas forças...!", ou então se ouve: "Só por Deus mesmo!". Por que a experiência da própria fraqueza faz bem para o crescimento na fé? Como explicar que as pessoas humildes são mais receptivas à voz de Deus?
3) Quando Jesus ensinou sobre o caminho da cruz os discípulos silenciaram. Sinal de que não concordavam. Quando o interesse era sobre "o maior", então discutiam. Quais as características do silêncio que ama? E os traços da palavra de quem quer o bem?
4) Jesus dialogou com os discípulos; também tomou um menino, abraçou-o e o colocou no meio dos discípulos, no centro do grupo. Hoje o que se tornou "central" na vida dos nossos jovens? Qual é a valor do afeto na missão de educar? Ensinar os filhos a crer é mais uma questão de palavras ou de testemunho?
4 - ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
DÉCIMO SEGUNDO ENCONTRO
Tema: Mc 8,34-9,1: A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto da narrativa sobre a Transfiguração de Jesus
Mc 8,34-9,1
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto:
1. Jesus, antes destas palavras acabara de falar a respeito do caminho de cruz. Podemos "ver" e "observar" os discípulos desapontados com aquelas palavras, suas fisionomias desorientadas. Parecem não acreditar que seguir aquele homem tão excepcional, tão capaz de milagres, deverá assumir a cruz. Mas a surpresa ainda cresce com o que dissera acerca dos discípulos: também eles terão sua cruz.
2. Nossa imaginação nos ajuda o percebê-los, um olhando para o outro, multiplicando as interrogações. Os gestos de incerteza se enumeram. As questões agora não se limitam a um ou outro fato de milagre, mas sobre o sentido da vida (ganhá-la / perdê-la).
3. Ainda, contando com a imaginação, parece fácil vê-los pensativos, talvez considerando a hipótese de que Jesus está pedindo muito. E a surpresa cresce porque também para as multidões é dirigido a mesma convocação.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. "Chamando a multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes..." (v. 34a). O verbo "chamar" aqui é muito significativo. Por várias vezes Jesus "chamou" os discípulos (Mc 3,13; 8,1) e uma vez "chamou" as multidões (Mc 7,14). Quando Ele "chama" alguém é porque algo de muito importante está para acontecer ou está para ser ensinado. E o que Ele está para propor aqui é válido para os dois grupos: os discípulos e as multidões. Embora sejam distintos, o fato de terem sido mencionados juntos faz pensar que não há grupos privilegiados para estar junto a Ele e dispor do seu ensinamento. Todos os que fazem parte do seu "seguimento" são instados aos mesmos passos. Por serem todos "chamados", de todos é pedido que renovem sua capacidade de resposta a Ele.
2. "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me" (v. 34b). Jesus não se dirige ao grupo como tal, mas a cada indivíduo ("Se alguém quer..."). Trata-se, pois, de uma decisão pessoal e livre. Cada um é responsável pela direção e sentido que quer dar à sua própria vida. Não há qualquer forma de coação ou pressão por parte de Jesus. Mas para segui-lo há duas condições: negar-se a si mesmo e tomar a própria cruz. "Negar a si mesmo" equivale a renunciar aos ideais pessoais e estilos de vida que se contrapõem ao desígnio de Deus a respeito do discípulo e da comunidade. Além do mais, "negar a si mesmo" implica a "confiar-se" naquele Deus revelado por Jesus. É um processo muito radical de mudança. Já a frase "tomar a própria cruz" indica que quem se propõe a seguir Jesus não será isento de momentos difíceis. Já sabe por antecipação que responder positivamente ao convite ao seguimento requer disponibilidade total a aceitar todas as escolhas e renúncias, próprias de quem leva consigo o sinal, o nome e a mensagem de Jesus.
3. "Pois aquele que quiser salvar sua vida, a perderá; mas aquele que perder sua vida por causa de mim e do Evangelho, a salvará" (v. 35). Percebe-se aqui um duplo conceito de salvação. O primeiro significa "êxito neste mundo" ("Quem quer salvar..."). Um dia as ambições, com todos os "êxitos" que possam ter, findarão, com a inevitável chegada da morte. O outro sentido para "salvar" está ligado a percorrer os caminhos de Jesus ("...quem perder a sua vida... a salvará"). Será alguém livre, até mesmo livre sobre si mesmo, para fazer de sua vida um dom aos outros. Experimentará a vitória de Jesus. Alcançará, com Ele, a ressurreição. A exigência de Jesus, aparentemente tão dura (assumir a própria cruz) é, na realidade, o único caminho que evita a ruína. A razão para fazer da vida um dom aos outros não é outra senão a pessoa de Jesus (por causa de mim) e suas boas notícias de amor a todos (Evangelho). Em outras palavras, com Jesus podemos chegar à grandeza de sofrer em favor dos outros. Os que são capazes disso participarão do seu destino vitorioso.
4. "Com efeito, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e arruinar a própria vida? E que poderia alguém dar em troca da própria vida?" (vs. 36-37). Eis a primeira hipótese: "ganhar o mundo inteiro", ou seja, alcançar o máximo de riqueza, de posição social ou de domínio. Segundo as palavras de Jesus, quem vive assim engana a si mesmo. Esforça-se para ter o máximo, mas justamente isso tudo que quer ter o destrói. Parece sacrificar a si e os outros na busca daquilo que lhe faz mal. O que ganha (riquezas, poder, consumo) é exterior a ele. O que perde ("a própria vida"), equivale a perder a si mesmo. Seria um fracasso definitivo, irreversível. Diante da morte os acúmulos e os sucessos nada contam. Mas diante de Deus, que faz viver os que amam em seu nome, por isso "renegam-se" e "tomam a própria cruz", toda experiência de "doar-se" assegura vitória definitiva. Estas palavras de Jesus não são uma ameaça; muito mais, elas ressaltam a urgência de fazer as escolhas certas. Jesus não anuncia nenhum tipo de castigo. É o homem mesmo que, por opções erradas, pode pôr a perder o sentido de sua existência.
5. "Se alguém se envergonhar de mim e de minhas palavras diante desta geração..., também o Filho do Homem se envergonhará dele..." (v. 38). O que Jesus diz vale para qualquer pessoa que o conhece e/ou quer seguir ("Se alguém"). "Envergonhar-se" aqui tem um sentido bem específico: trata-se do estado de ânimo ou de temor por parte de quem sabe que ao fazer conhecida sua adesão a Jesus, isso pode lhe trazer algum tipo de descrédito ou desvantagem. Então, temeroso, ou por não querer perder alguma "vantagem", não revela ou não assume sua condição de seu seguidor. Desta maneira evita "abraçar a própria cruz". Valem mais as conveniências deste tempo passageiro do que o juízo definitivo do Pai. Neste caso também Jesus, o Filho do Homem, terá "vergonha", isto é, no dia do juízo definitivo Jesus não reconhecerá como "seus seguidores" aqueles que se portarem com sentido ambíguo.
6. "‘Em verdade vos digo... Alguns não provarão a morte até que vejam o Reinado de Deus, chegando com poder\'". Nos versos anteriores Jesus fala do Filho do Homem quando vier na glória do seu Pai (portanto, sem datação). Agora se refere ao "reinado de Deus" chegando já para o tempo dos leitores do evangelho. Este reinado experimentará um impulso extraordinário ("chegando com poder"). Não se tratará de juízo, de condenação, de punição, mas de potência de vida comunicada por Deus no seu Espírito. Em outras palavras, os que terão a Deus por rei experimentarão a força desta realeza: as relações entre as pessoas serão marcadas por traços de solidariedade, de perdão, de justiça e de paz.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Jesus "chamou" os discípulos, juntamente com a multidão. Mas já tinham sido "chamados" uma primeira vez. Foi um novo momento na vocação dos mesmos. Nossa vocação ao matrimônio experimenta novos "chamados"? Sem "experiências renovadoras" é possível superar as dificuldades que surgem? Sem "ouvir" o Senhor é possível entender o matrimônio como um "chamado"?
2)"Negar-se a si mesmo... tomar a cruz... seguir". Assim é com a toda a verdadeira experiência de fé. Mas verifica-se algo semelhante também na vida matrimonial e familiar: renúncia, perdão, silêncio, adesão... Por que o diálogo entre casais é difícil? E o silêncio, por que também é difícil? As renúncias próprias da vida familiar fazem crescer ou carecer?
3) Em questões como matrimônio e família ser seguidor de Jesus comporta diferenças em relação ao que se vê pelo mundo afora? Na vida familiar há experiências de cruz? É possível fidelidade sem cruz?
4) Observemos a frase de Jesus: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e arruinar a própria vida?" O afã por ter muito não assegura a vida. E faz bem ao matrimônio e à família?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
DÉCIMO PRIMEIRO ENCONTRO
Tema: Mc 8,27-33: QUEM É JESUS
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto sobre a pergunta quem é Jesus
Mc 8,27-33
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto:
1. Podemos "ver" Jesus caminhando com os discípulos, atravessando a nossa cidade e se retirando para alguma aldeia chamada Cesaréia.
2. Na nossa imaginação vale a pena "vê-los" conversando: Jesus lhes pergunta; eles falam; ele volta a perguntar. Seus gestos são solenes.
3. Ao dado momento, o assunto passa a ser a cruz. A fisionomia dos discípulos se torna séria. Estão desapontados. "Vemos" Jesus insistindo. Pedro novamente fala. O diálogo entre Jesus e ele se torna "pesado". Jesus o repreende. Depois chama a todos, a nós inclusive, ao seguimento. Um seguimento difícil, exigente, pois comporta a cruz. Tudo era mais fácil ante os fatos de milagres.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. "No caminho perguntava... Quem sou eu, no dizer dos homens?... João Batista... Elias... um dos profetas" (vs. 27-28). O tema do "caminho" não tem apenas um sentido espacial. É figura de um processo que leva alguém a um compromisso pessoal. Os discípulos "caminham" com Ele. Terão que fazer as escolhas dEle. Quanto à resposta dos discípulos, ao retratar o que dizem os outros a respeito de Jesus, falam de um profeta (João Batista, Elias, ou algum outro). O reaparecimento de um profeta significava, na mentalidade da época, a preparação da chegada do Salvador. Jesus seria, então, um preparador desta vinda. E o Messias Salvador que esperavam era um revolucionário, que submeteria, pela força e pelo triunfo, as forças opressoras de Israel (romanos). Até o momento o que Jesus fizera não "revolucionava".
2. "E vós, quem dizeis que eu sou?"... Pedro...: "Tu és o Cristo. Ordenou-lhes severamente que não falassem a ninguém" (vs. 29-30). A pergunta dirigida aos discípulos, em separado, supõe uma resposta mais precisa. Eles conhecem Jesus, seguiram-no, aderiram a Ele; são "discípulos". O discípulo não pode pensar como os outros, pois fora ensinado por Ele. A resposta sai da boca de Pedro, falando em nome de todos. Vale observá-lo: "Tu és o Cristo". Jesus não é, pois, um preparador da chegada do "ungido" de Deus (sentido do nome Cristo). O "Ungido" é aquele dotado das forças de Deus para salvar. Era a ele que o povo esperava com ansiedade. Ao indicar o artigo o Cristo, já fica explicitado: não há outro Salvador senão somente Jesus. Não há mais que esperar a salvação de Deus. Esta já chegou com Ele. Não é como o povo esperava, ou seja, triunfalista, poderoso, repleto de grandezas humanas. Deus não pensa com critérios humanos.
3. "...Começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muito, fosse rejeitado...depois de três dias ressuscitaria" (v. 31). Antes Jesus ensinava às multidões. Falava-lhes em parábolas. O assunto era o Reino de Deus (Mc 4,1-32). É a primeira vez que Jesus ensina aos discípulos. O assunto é muito difícil de aceitar: a cruz como caminho para a ressurreição. Isso desmente o que Pedro e os outros pensavam do Messias Salvador: um triunfalista, cheio de conquistas e de poder humano. Mas já se fazia pronunciar a oposição a Jesus por parte dos fariseus. "Era necessário", pois, que Jesus mostrasse até com a morte, sem violência de sua parte, a grandeza do projeto de Deus. Porém, a última palavra pertenceria à força de Deus que o ressuscitaria.
4. "Falava disso abertamente. Pedro... pôs-se a censurá-lo." (v. 32). No v. 30 havia uma ordem severa para que nada dissessem. Era para evitar que o título de Messias fosse entendido em sentido de grandeza triunfal. Agora, quando Jesus já revelou que o Messias (Filho do Homem) deve seguir o caminho da cruz/ressurreição, o diálogo é aberto. Nada há que ocultar. O Salvador quer que todos saibam que a salvação comporta abraçar a cruz. Mas Pedro manifesta uma posição bem diversa. Toma-o à parte com intenção de influenciá-Lo. Quer evitar para Jesus o caminho da cruz. Não percebe que deste modo também o afasta da ressurreição. Ademais, seria o fracasso de tudo quanto Pedro e o povo esperavam do Messias de sucessos políticos e triunfos nacionalistas. Não percebe que a cruz tem um sentido de "entrega amorosa" que se abre para a vitória. Fixado em suas ideias, fala a Jesus como um superior: "pôs-se a censurá-lo".
5. "Ele, porém, voltando-se e vendo seus discípulos, repreendeu a Pedro: ‘Afasta-te para trás, Satanás...\'" (v. 33a). Pedro tomara Jesus à parte, intencionado a convencê-lo. Jesus fala a Pedro, mas voltado aos discípulos. O que vale para Pedro vale para todos. Suas palavras são duras. O apelativo "Satanás" não quer indicar que Jesus vê em Pedro uma figura "demonizada". Quando Jesus foi tentado no deserto, a tentação consistiu em um messianismo de grandezas triunfalistas (Mt 4,1-11). O poder humano, exercido como domínio opressor é sim "diabólico". Sem o perceber, também Pedro e os discípulos", ao preferirem um messias "poderoso", somente de sucessos e potências, sem cruz, assemelhavam-se àqueles intentos do Tentador. Não há outro caminho para os discípulos, senão "afastar-se" destas pretensões. A ordem de colocar-se atrás de Jesus tem um sentido interessante: Jesus não está expulsando Pedro. Na realidade, ele deve se colocar atrás de Jesus para segui-lo. Quando Jesus o chamou (Mc 1,17), falou-lhe exatamente em "seguir" (literalmente, na língua grega, Mc escreveu: "vem atrás de mim"). Pedro e os discípulos são desafiados a mudar seus pensamentos e "seguir" Jesus no seu caminho exigente de assumir a cruz.
6. ""‘Pois teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens\'" (v. 33b).Eis o real problema de Pedro e dos outros discípulos. Eles gostariam que os pensamentos de Deus se adaptassem aos seus. E que Jesus e seu modo de ser Salvador correspondesse às expectativas que atenderiam às suas conveniências. Não era má vontade dos discípulos. Era expressão do desejo, presente em toda a pessoa, de ter Deus a seu favor sem precisar converter-se, sem precisar de mudanças interiores. Pedro e os discípulos precisam rever completamente o se modo de discipulado, de seguimento. Esta é a mudança fundamental a que todo o discípulo de Jesus é constantemente desafiado: adotar na vida pessoal e comunitária os projetos de Deus, em vez de se fixar nos próprios. Sem isso não há seguimento.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Os discípulos "caminhavam"com Jesus. Mas também eles esperavam que o Salvador que deveria vir fosse diferente. Já perceberam alguma vez as "diferenças" no modo de Deus ser e aquele que gostaríamos que fosse? Que caminhos seguir quando, em nossa vida matrimonial e/ou familiar nossos pensamentos não são os dEle? Que sugestões os Senhor Jesus nos daria?
2) Deus não pensa com critérios humanos. Ele é humilde e prefere os humildes. O anseio humano por grandeza, presente em cada um de nós, pode prejudicar nossas experiências de fé e de seguimento a Jesus Cristo? Há o risco de prejudicar também nossa vida familiar? O que nos diria o Mestre Jesus?
3) Jesus começou a lhes ensinar sobre o caminho da cruz. Para Deus, mais importante do que simplesmente salvar a humanidade, queria Ele também mostrar a infinitude do seu amor. Os homens puderam até assassinar o Filho de Deus, mas jamais poderão impedi-lo de amá-los. Foi isso que se viu na cruz: assassinaram-no, mas Ele morreu perdoando. Isso tem algo a dizer para a nossa vida matrimonial? E para a vida comunitária (paroquial)?
4) Pedro foi forçado a rever completamente suas disposições e motivações para o seguimento de Jesus. Segui-lo não comportava apenas benefícios. Era preciso também despojamento, renúncias. Quais os grandes valores da vida familiar pelos quais vale a pena as renúncias pessoais?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
DÉCIMO ENCONTRO
Tema: Mc 8,10-21: O FERMENTO DOS FARISEUS
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto sobre as palavras de Jesus ante o pedido de um sinal e sobre o fermento dos fariseus
Mc 8,10-21
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto:
1. Podemos "ver" os fariseus aproximar-se de Jesus e, gesticulando, discutirem com ele, pedindo-lhe que mostre seus grandes poderes fazendo vir algum sinal prodigioso do céu (v. 11).
2. Podemos ainda "vê-lo" a manifestar seu desagrado face a tal espécie de "teste" (v. 12). A imaginação pode nos ajudar a contemplar Jesus se afastando deles, subindo à barca e buscando a outra margem do lago (v. 13).
3. Sobre o barco Jesus ensina aos discípulos (v. 15), e os discípulos, em conversa entre si, tentando compreender o que lhes era ensinado (v. 16).
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. "Os fariseus saíram e começaram a discutir com ele. Para pô-lo à prova, pretendiam dele um sinal do céu (v. 11). É fácil ver nestes verbos sair / discutir uma atitude agressiva. Querem "prová-lo" porque não o aceitam. Daí "pretendem" dEle um sinal do céu, um sinal estrondoso que demonstre seus reais poderes. Na realidade não o estimam. Estão seguros de que Jesus não vem de Deus. O raciocínio de quem quer pô-lo à prova é simples: se Jesus quiser mostrar seu poder com um "sinal do céu", certamente vai fracassar. Perde, portanto, credibilidade. Se recusar a dar o sinal, então vai perder a estima popular. Os sinais de amor e de perdão, até acompanhados de milagres (ex.: 2,12), não lhes dizem nada. O sinal do céu não seria manifestação de seu amor; apenas de sua força. No fundo há duas formas aceitar a Deus: os fariseus querem que Jesus mostre um Deus de poder e de domínio; Jesus quer falar de um Deus de amor e de perdão.
2. "Suspirando profundamente... Em verdade eu vos digo que a esta geração nenhum sinal será dado" (v. 12). Este é um versículo que expõe um sentimento de Jesus. O seu profundo "suspiro" indica um estado de decepção e tristeza porque os fariseus se recusam a aceitar o modo de ser de Deus apresentado por Jesus. A expressão "em verdade" é uma forma forte para introduzir a frase "nenhum sinal será dado...". É como se se quisesse dizer: "Definitivamente, nenhum sinal...". Claro, o Deus revelado por Jesus Cristo não se deixa subordinar por conveniências ou interesses humanos oriundos da falta de fé. Os fariseus queriam estabelecer condições para amar aquele Deus Pai, que Jesus revelava.
3. "Cuidado! Guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes..." (v. 15). "Fermento" está associado a pão. O "fermento" aplicado simbolicamente a uma realidade determinada correspondia a "corromper algo puro". Assim como o fermento, escondido na massa, influencia-a inteiramente, do mesmo modo o tal do "fermento dos fariseus" e de Herodes. Seu "fermento" era a sua interpretação desviada acerca de Deus (os fariseus queriam um sinal do céu para aceitar Jesus), e a busca de poder (apego dos herodianos). Isso influenciava muito e negativamente os seus comportamentos. Por isso mesmo a mensagem de Jesus (um Deus amoroso e não de poder) era incompatível com o modo de pensar destes grupos. E tal modo de pensar e de se comportar poderia prejudicar a fidelidade dos discípulos. Eles também poderiam se deixar fascinar pelos anseios de prestígio e de projeção.
4. "Jesus lhes diz: ‘Por que pensais que é por não terdes pães? Ainda não entendeis nem compreendeis?... Tendes olhos e não vedes\'...? Tendes o coração endurecido? (vs. 17-18). A discussão dos discípulos por não terem levado pães não se restringe ao alimento material. Eles não conseguiam se livrar de outros esquemas, ou de outros pensamentos, ou de outros ensinamentos que comprometiam o seu relacionamento com Jesus. Isso equivale a algo tão contraditório quanto ter olhos e não ver, ter ouvidos e não ouvir. A imagem do "coração endurecido" é fortemente crítica. Na tradição bíblica representa aqueles que não têm fé, aqueles que querem resistir ou contrapor-se a Deus. O ensinamento de Jesus de aceitar um Deus bom e compassivo, que não aprecia grandezas e poder, que perdoa até aqueles que não amamos, sempre foi uma dificuldade para os discípulos. Sua resistência lhes "endurecia" o coração.
5. "‘Não vos lembrais de quando parti os cinco pães para cinco mil homens, quantos cestos recolhestes? ... Nem assim compreendeis\'" (vs. 19-20). Jesus lhes recorda quando "partiu" o pão a muitos. "Partir", não é apenas dividir em pedaços. Mais que isso, tem um sentido de partilha, de solidariedade. Recorda-lhes também que eles, discípulos, recolheram em cestos, de toda aquela abundância. Mesmo tendo visto o pão faltar, mas também se multiplicar e recolher de tanta abundância, ainda assim os discípulos punham-se a discutir por causa da insuficiência de "pães".
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Os fariseus quiseram que Jesus "adaptasse" o próprio Deus a eles (sinal do céu). Esta tentação de ter um Deus à nossa imagem e preferência alcança-nos também? Não se trataria de querer um Deus que coubesse na nossa mente e na nossa lógica? Tal religiosidade de conveniência seria experiência de fé?
2) Jesus "suspirou profundamente". Estava decepcionado. Queriam pô-lo à prova. Exigir "provas" para, então sim, passar a confiar não ameaça as relações interpessoais? A vida matrimonial sustentada de "provas" se sustenta?
3) No caso da experiência de fé, qual a diferença entre aceitar um Deus amoroso (Jesus) e um Deus poderoso (fariseus e herodianos)? O pensamento moderno sobre amor, casamento, família, tem bom "fermento"? Aceitar toda e qualquer novidade faz bem ao matrimônio em vivido em nome de Deus?
4) Embora estivessem com Jesus, os discípulos discutiam sobre a falta de "pães". Não discutiam sobre o quanto Deus, por meio de Jesus, os amava. Incorremos hoje no mesmo risco de não perceber a presença do amor de Deus entre nós? Por que isso acontece? Os fariseus passariam a aceitar Jesus, desde que tivessem um "sinal do céu" e não devessem mudar de comportamento. É possível seguir Jesus assim?
4 - ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
NONO ENCONTRO
Tema: Mc 7,24-30: O ENCONTRO DE
JESUS COM A MULHER SIRO-FENÍCIA
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto sobre o encontro de Jesus com a mulher siro-fenícia
Mc 7,24-30
Em seguida, silenciar por alguns instantes e imaginar algumas cenas do texto.
1. Podemos "ver" Jesus "em caminho", entrando em uma vila, numa região estrangeira (Tiro).
2. Alguém o acolhe; ele entra em uma casa (v. 24). Vale imaginar uma mulher aflita, entrando na casa dos outros, em lágrimas, pedindo a intervenção de Jesus; sua filha vive sob tormentos (vs. 25-26).
3. Podemos ainda imaginar Jesus com os olhos fixos sobre a mulher sofredora, pronunciando sua resposta estranha (v. 27). Ajuda também "ver" que a mãe insiste, pois sua filha precisa de Jesus (v. 28).
4. Também a fisionomia surpresa de Jesus, seguida da resposta, vale ser "vista" (v. 29). É possível "vê-la" saindo, em caminho; quer ver o novo estado da filha (v.30).
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. Jesus se pôs a caminho e, dali, foi para a região de Tiro. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava, mas não conseguia ficar escondido" (v. 24). Na tradição religiosa judaica a cidade e região de Tiro era o protótipo do povo pagão, ou seja, tratava-se de um povo reprovado porque não conhecia a Deus, porque era arrogante, porque se desinteressava pela história e religião de Israel. É justamente para lá que Jesus vai. Contrariando os costumes judeus de não entrar na casa de estrangeiros, para não cair em "impureza", ele entra em "uma casa", sem especificar o lugar, ou a família, ou ainda a religião da mesma. Em outras palavras, não há diferença de raça ou credo. Sua intenção momentânea não era a de alguma mensagem ou milagre. É a do visitante respeitoso que quer conhecer.
2. "Uma mulher cuja filha tinha um espírito impuro, ouviu falar dele... atirou-se a seus pés" (v. 25). Ainda que preferisse não ser reconhecido, ante a necessidade da mulher, sem fazer qualquer distinção, ele a acolhe. E ela se percebe não excluída. Não se sabe o nome, onde mora, quem é. Mas é alguém que sofre face o drama da filha. Ela, a filha é atormentada por "espírito impuro". Embora não seja possível saber do que se trata exatamente, todavia se sabe que a filha não se encontra em paz, mas está dominada pelo ódio e violência destruidora. Este é o motivo de angústia da mulher estrangeira. Ela se reconhece impotente ante a gravidade da situação que ameaça a sua filha. O drama da filha era também a sua grande dor.
3. "A mulher era grega, siro-fenícia de nascimento... rogava que expulsasse o demônio..." (v. 26). O evangelista indica duas características da mulher: grega e siro-fenícia. Ser siro-fenícia esclarece sua origem pagã. Ser "grega" sugere seu caráter cultural: devia ser uma pessoa da elite, talvez ilustrada e influente. Apesar do seu prestígio, mesmo assim experimentava seu grande limite. Via-se incapaz. Sua súplica insistente buscava de Jesus a expulsão do "demônio". Provavelmente se tratava de uma impetuosa força de ódio ou desespero que dominava sua filha. Era algo incontrolável.
4 "Ele dizia: ‘Deixa que primeiro os filhos se saciem... não é bom tirar o pão dos filhos e atirá-lo aos cachorrinhos" (v. 27). A resposta de Jesus surpreende pelo aparente desprezo que demonstra. O termo "cachorrinho" se aplicava aos cães domésticos. Há um tom de depreciação. Além do mais, os judeus tendiam a considerar os estrangeiros, que não conheciam as leis do AT como cães. E eles, os judeus, seriam os filhos. Fica difícil entender esta resposta, especialmente por se tratar de Jesus, que nos versículos anteriores demonstrara não fazer distinção de pessoas. Mas a intenção é outra: há um tom de ironia (não ironia maldosa) orientada a provocar uma reação da mulher. Isso é possível ver nas menções do pão. Não se trata propriamente de alimento. Pão é o símbolo da salvação de Deus: a mulher, além da cura da sua filha, é instada também a procurar o "pão", muito embora não seja de origem judaica.
5. "É verdade, Senhor. Mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos" (v. 28). E a mulher reagiu positivamente ao falar de Jesus. Ela se refere a Ele como "Senhor", o que já indica a atitude de quem crê. Assim como é natural para os cães comer as migalhas que caem da mesa, também será natural para o "Senhor" fazer chegar a sua salvação à filha, que está dominada pelo ódio violento ("espírito impuro"). É pouco o que ela pede ("migalhas"), é a parte menor dos alimentos, mas porque crê, percebe que é suficiente para que sua filha reencontre a paz. Em sua resposta ela se apela à bondade e misericórdia de Jesus. Basta isso para que sua filha supere seu mal.
6. "Pelo que disseste, vai: o demônio saiu de tua filha\'" (v. 29). Jesus a despede, mas também lhe assegura a vitória. A frase "pelo que disseste" é o reconhecimento por parte de Jesus de que aquela mulher "estrangeira", ao dialogar com Jesus adotara comportamentos de fé. A fé se tornara a condição para que sua filha superasse o ódio violento. Mas não basta simplesmente despedir-se. É preciso pôr-se em caminho ("vai"), é preciso ir ao encontro da filha. Não se tratava apenas de ir ver o milagre. Era preciso aproximação amorosa entre pessoas (mãe / filha).
7. "Ela voltou para casa, encontrou a criança... o demônio tinha ido embora" (v. 30). Ao chegar em casa a mulher encontrou como Jesus falara: o demônio se fora. A menina na cama, sem estado de agitação, é um sinal de serenidade e paz. Mas ainda há um caminho a percorrer. O problema imediato se solucionou mediante a fé da mulher, que tornou possível a atuação da palavra libertadora de Jesus. Mas não basta jazer na cama. Agora começa um novo caminho, uma nova história a ser construída "em casa".
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1)Jesus partiu para uma terra estrangeira, vista com desprezo pelos judeus, considerada uma região de impuros. Quais as grandes razões pelas quais hoje nossa sociedade "despreza pessoas"? Há o risco de nossas famílias, até sem o querer, realimentarem certos "desprezos"?
2)Jesus "entrou em uma casa". Veio uma mulher, atirou-se aos pés dEle. Nas "nossas casas e famílias" há espaço, tempo e atenção para os que estão à procura do Senhor? Encontram-no em nossas casas?
3) A expressão "espírito imundo" está associada a grandes agitações emotivas e comportamentais ligadas ao ódio e violência. Era este o estado da "filha". Para superar o ódio que "violenta" as relações familiares, quais seriam as recomendações do nosso texto? Conhecem situações de "ódio" superado ou em vias de superação? De onde veio ou vem a força de superação?
4)Ao encontrar Jesus a mulher se lançou aos seus pés, pediu, insistiu. Mas foi pela insistência que alcançou o que necessitava para sua filha? Qual a diferença entre a oração de quem fala a Jesus e de quem ouve o falar de Jesus? Em nossas famílias ‘deixamos" o Senhor falar?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando e onde será o próximo encontro?
OITAVO ENCONTRO
Tema: Mc 6,45-56: JESUS QUE CAMINHA SOBRE AS ÁGUAS
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto sobre a caminhada de Jesus sobre as águas
Mc 6,45-56
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto:
1. Podemos "ver" Jesus ordenando severamente os discípulos a atravessarem, de volta, o lago;
2. Nossa imaginação pode também "ver" Jesus subindo a montanha para orar; quem sabe, até podemos "vê-lo" em oração.
3. Vale também deslocar nossa atenção em direção aos discípulos "vê-los" em grandes dificuldades para fazer sua travessia. O vento e a ondas golpeiam a barca.
4. Não se pode esquecer Jesus ainda caminhando sobre as águas, os discípulos amedrontados, e a palavra de Jesus a serená-los.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. "E deixando-os foi à montanha para orar" (v, 46). Jesus acabara de realizar a multiplicação dos pães. Depois, recolheu-se para sua oração. É segunda vez que Marcos apresenta Jesus retirando-se para orar. E o fez subindo ao monte. A montanha, para a cultura bíblica, é o lugar do encontro com Deus. O diálogo orante, até a madrugada, sugere ao leitor que para Jesus é o encontro intenso e íntimo com o Pai que sustenta as suas motivações para a missão. A oração autêntica e perseverante faz o orante interpretar as situações a partir de Deus e de seu amor.
2. "Ao cair da tarde, o barco estava no meio do mar e ele sozinho em terra..." (v. 47). O "cair da tarde" não tem apenas um sentido temporal, indicador do fim do dia. O cair da tarde é seguido da noite, símbolo das trevas perigosas (potências do mal) que podem envolver os discípulos que remam sobre a barca. Jesus permanece em terra, orando. Embora seja noite, as trevas não o dominam.
3. "Vendo que se fatigavam a remar... " (v. 48a). O lago a atravessar faz lembrar o Êxodo e a passagem do mar Vermelho para o antigo povo de Israel. Foi um período de purificação. Também os discípulos experimentam muitas dificuldades em fazer a travessia com suas próprias forças. É noite, percebem-se fracos, e o vento é contrário. Para os padrões da época, explicava-se o vento contrário como forças malignas que combatiam o caminho do homem. Também as águas tinham um sentido concreto e outro simbólico: o mar agitado, sobre o qual o homem não tem nenhum domínio, retrata o caos, a desordem, em cujo fundo habitam os espíritos maus. Ou seja, de um lado há os discípulos que se fatigavam para remar, de outro há a noite, o vento, as águas agitadas. Segue que os discípulos experimentam profundamente a fraqueza pessoal e do grupo ante tantas adversidades. Não se pode, porém, esquecer um pormenor narrativo de grande significação: embora fosse noite, Jesus "viu" sua dificuldade em fazer a travessia.
4. "Pela quarta vigília da noite, dirigiu-se a eles, caminhando sobre o mar..." (v.48). A quarta vigília da noite equivale ao tempo que vai das 03:00 hs às 06:00 hs. No oriente é o tempo em que surge o sol, vem a aurora e nasce o dia. E o tempo da manhã, segundo uma tradição do profeta Isaías (Is 17,4) é o tempo da ajuda de Deus. Jesus dirige-se até a barca dos discípulos para ajudá-los a fazer sua travessia. Quanto a caminhar sobre as águas, considerava-se que esta era uma possibilidade atribuída somente a Deus. Assim em Sl 77,20 ou Jó 9,8. Mas há algo mais: se o vento açoita a barca, impedindo a travessia, no caso de Jesus nem o vento (espíritos maus), nem o mar (residência das potências malignas) têm força para frear Jesus. E com a sua chegada a travessia se torna possível.
5. "Ele, porém, fala com eles dizendo: Tende confiança. Sou eu. Não tenhais medo" (v. 50). Embora as traduções usem o verbo no passado ("falou com eles"), no texto grego de Marcos está escrito no presente ("fala com eles"). É o chamado "presente histórico", inexistente na nossa língua. Esta forma verbal quer indicar que a palavra dita no passado continua a valer para o presente. Ou seja, Jesus continua a dizer aos discípulos de hoje, cercados de temores e problemas, as mesmas palavras de ontem: "Tende confiança". Já a expressão "Sou Eu", muito conhecida no Antigo Testamento, indica a presença salvadora de Deus. Ao ser pronunciada por Jesus, além de identificar-se aos discípulos, ela revela que Ele é o portador da salvação e vitória sobre qualquer ameaça (mar, vento, noite). "Não tenhais medo" é uma frase típica de revelação da presença divina, intencionada a infundir confiança, a dissipar o temor. Para resumir: os discípulos estão envolvidos pela escuridão, há vento contrário, faltam-lhes as forças para remar..., mas o Senhor se faz próximo para que possam superar os muitos percalços.
6. "E subiu para junto deles no barco... o vento amainou." (v. 51). Jesus demonstra seu apreço por eles subindo à barca. Sua afeição não é somente de palavras. O que antes fora aproximação salvadora, agora é também comunhão ("subir à barca"). Com a presença de Jesus o obstáculo para avançar (vento) desaparece. Sua presença suplanta as forças adversas que de dentro e de fora impedia a travessia da comunidade de discípulos.
7. "Eles, porém,... estavam cheios de espanto... seu coração estava endurecido" (vs. 51.52). Face a uma experiência tão surpreendente e ao mesmo tempo tão grandiosa, é compreensível a reação de estupor dos discípulos. Mas há também uma reprovação bastante dura a eles: sua "dureza de coração". Seu significado sugere atitude de falta de fé. Quem não interpreta as situações inspirado(a) em atitudes de fé, não percebe a proximidade de Deus. Aconteceu isso já no fato da multiplicação dos pães. Eles não tinham entendido. Em outras palavras, para quem não se decide a crer, nem mesmo os maiores milagres dizem muito. Parece que aos discípulos de ontem e de hoje o grande problema não é a falta de "milagres", mas a falta de fé.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Para Jesus, retirar-se para orar era condição fundamental para sustentar suas motivações ao serviço. Por que a oração entre os cônjuges e com toda a família está tão desprestigiada? Por que nas nossas orações mais falamos do que ouvimos? A intimidade com Deus favorece a intimidade entre os casais, entre os membros da família.
2) O "vento", símbolo das forças malignas fustigava a barca. E os discípulos se viram fracos, sem forças para a sua travessia. Nem é preciso falar dos "ventos" que agridem casais e famílias. Mas como os casais hoje reunidos conseguiram vencer os momentos difíceis de sua vida matrimonial? A espiritualidade ajudou?
3) Jesus "viu" que os discípulos não conseguiam seguir adiante, muito embora se esforçassem para remar. Viu-os fracos. O que um casal, ou família, pode fazer para "deixar-se ver" por Jesus? O que Ele pediria a este grupo de casais reunidos para conheceram sua palavra?
4) Por mais que os discípulos tenham contemplado um prodígio admirável, o evangelista informa que seu coração "estava endurecido". Por isso mesmo não conseguiam perceber o significado e a grandeza da experiência vivida. Não percebiam a presença de Deus. Acontece hoje algo semelhante em nossos ambientes? Existe alguma afinidade entre "proximidade de Deus" e realização matrimonial.
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
SÉTIMO ENCONTRO
Tema: Mc 6,30-42: A PRIMEIRA MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto sobre a primeira multiplicação dos pães
Mc 6,30-42
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto:
1. Podemos "ver": Jesus com seus discípulos em busca de um local para repouso; sempre com a imaginação, vale projetar nossa atenção para o olhar compadecido de Jesus sobre a multidão cansada e cheia de expectativas;
2. Também pode ser vislumbrado o olhar preocupado dos discípulos face a situação que estava por se criar. Mas, para além de sua preocupação, vale a pena observá-los atentos aos gestos de Jesus com o pão (tomou, abençoou).
3. Em seguida é possível imaginá-los surpresos, organizando a multidão em uma hora imprópria. Em um último ato imaginativo, empenhemo-nos em "vê-los" distribuindo o pão, dom de Jesus, ao povo.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. "Vinde à parte, a um lugar deserto, e descansai um pouco..." (v. 31). A frase sugere a busca de repouso, de recomposição física após um conjunto muito empenhativo de atividades desgastantes. Embora correta, esta interpretação é insuficiente, pois o evangelista tem ainda outra preocupação. A forma verbal "vinde" é a mesma usada por Jesus quando chamou os discípulos a seguirem-no (Mc 1,17). Refere-se, portanto, às relações dos discípulos com Jesus. As expressões "... à parte, a um lugar deserto..." fazem lembrar outro fato de chamado: aquele de Mc 3,14. Naquele texto o evangelista explicou porquê Jesus chamou os seus: "Para estarem com Ele e para enviá-los a pregar". Os discípulos estavam em grandes agitações de trabalho, mas com frágeis relações com Jesus. O próprio Marcos explica que eram muitos os que "iam e vinham". Mas não necessariamente encontravam-se com Jesus. O "lugar deserto" é o espaço de intimidade com o Senhor. Isso faltava aos discípulos. Consequentemente, faltaria também àqueles aos quais eles se dirigiriam.
2. O v. 34 é muito ilustrativo. Jesus, ao ver a multidão que chegara antes "compadeceu-se deles". No evangelho de Marcos este verbo não se aplica ao comportamento humano, a não ser no caso de Jesus. É usado para referir o amor terno de Deus ante o sofrimento e o infortúnio dos seus prediletos. Jesus se compadeceu não porque não tinham o que comer. Era porque encontravam-se como ovelhas sem pastor, embora pudessem dispor de todo o sistema religioso judaico e do Templo. Ou seja, estavam desorientados, sem saber para onde ir ou onde encontrar sentido e plenitude para a vida. Por isso mesmo "pôs-se a lhes ensinar muitas coisas". É interessante observar que não há nenhuma reação do povo ao ensinamento de Jesus. Mesmo assim a multidão permanece lá.
3. Embora o texto não informe quando começou o ensinamento de Jesus, ao que parece foi longo, pois os discípulos o advertem que já se "fizera tarde" (v. 35). E a multidão parecia interessada uma vez que fazia pouco caso do tempo. Os discípulos o interromperam apresentando-lhe três motivos: o lugar deserto, a tardança e a falta de alimento. Mas em nenhum momento se indica que a multidão estava à procura de alimento. E Jesus reconhecera que aquele povo estava sem pastor, isto é, faltava quem ensinasse e orientasse para um sentido à vida a partir de Deus. Tem-se a impressão que na visão dos discípulos Jesus deveria interromper sua atividade de pastor (ensinava) para evitar transtornos com a necessidade de alimentação. Além do mais, a solução que propõem tem um caráter de matiz individualista: "...despede-os... para que vão e comprem..." (v. 36).
4. "Dai-lhes vós mesmos de comer" (v. 37). Certamente os discípulos ficaram desapontados, pois que a melhor alternativa naquelas circunstâncias era que cada um buscasse a solução para sua necessidade. Eles percebiam sua situação objetiva de limite. E cada um teria que "comprar". Para tal solução nem é preciso amar. Basta "comprar". Os discípulos estavam preocupados com a saciedade material da multidão. Jesus, porém, pensava na transformação interior dos discípulos. "Dar" está na linha do amor. Alimento sem amor sustenta a vida física, mas não transforma o homem. "Dar" com amor implica o dom de si mesmo, criando novas relações. É isso que transforma a pessoa. Era esta a mudança de que tinham necessidade os discípulos. Para eles a problemática era o "dinheiro para comprar pão". Para Jesus o foco era bem mais ampliado: de um lado a transformação pessoal dos seus seguidores mais próximos ("Dai-lhes vós mesmos..."). Por outro, a atuação de Jesus renovava a antiga experiência do maná, quando Deus alimentou seu povo que fazia a travessia do deserto, a caminho da liberdade.
5. É muito interessante a recomendação do v. 39: "Ordenou-lhes que os fizessem assentar todos, em grupos...". Não se trata de uma simples organização funcional. As palavras de Marcos, escritas em grego, mais do que simples grupos, querem referir "grupos de convivência", que denotam alegria, amizade, comunhão e fraternidade. É missão dos que seguem Jesus Cristo, e se dispõem a serem seus colaboradores, favorecer a vida comunitária, o encontro, a amizade entre os que se "deixam ensinar" por Ele. De fato as multidões eram ensinadas por Jesus. Agora agrupam-se como convivas.
6. No ambiente familiar era habitual que o pai da família, ao início e ao final da refeição, pronunciasse a oração de bênção. Era a gratidão a Deus pelo alimento. Jesus faz o mesmo (v. 41). Mas, na família, o pai o fazia com os olhos voltados em direção a Jerusalém e ao templo. Jesus dirige seus olhos ao céu. Assinala com isso sua relação especial e absoluta com Deus. Qual Filho de Deus, Ele age com toda a liberdade e em união com o Pai. Quanto aos discípulos, é significativo o detalhe do evangelista: "Jesus deu ao discípulos para que lhes distribuíssem..." (v. 41). Cabe, pois, a todo o discípulo transmitir e fazer visível o amor e a generosidade de Deus.
7. "Todos comeram e ficaram saciados..." (v. 42). Mais do que relatar um milagre extraordinário, Marcos espera que seu leitor entenda o fato para além de sua materialidade. Se os leitores se fixarem somente no milagre, o efeito do mesmo se acabou no momento em que todos se viram de estômago cheio. Mas o evangelista tem intenções bem mais alargadas: o alimento dado, símbolo de vida e graça que Deus generosamente concede, está orientado à partilha, sem exclusões ("todos comeram"). Os poucos pães e peixes ensejaram a abundância. O egoísmo gera insuficiência e escassez. Mas isso é possível quando as multidões "deixam-se ensinar por Jesus" e quando os discípulos seguem sua palavra. Os que comeram eram "cinco mil homens" (v.42). Quase sempre a atenção se volta para o grande número. Mas há algo mais que o evangelista quer que seu leitor perceba: antes era uma "multidão" anônima. Agora que foram "ensinados" e "alimentá-los" por Jesus, são "homens". Não se trata de diferenciação sociológica (seres masculinos). Trata-se sim de pessoas com reconhecimento pessoal diante dos outros e de Deus.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Os discípulos atuavam muito. Tinham desempenhado um grande trabalho. Precisavam de repouso. Mas precisavam muito mais de intimidade com o Senhor que os chamara. Quando o casal, mas também a família como um todo, deixa de ter seus encontros com o Senhor, percebem-se diferenças nas relações de convivência? "Estar em paz com Deus qualifica as nossas relações de comunhão". Comentar.
2) Em tempos de tanta informação e de tantas "verdades" e convicções, ainda assim parece que nossa gente está à procura de portos seguros. Jesus "compadeceu-se" da multidão com sentimentos de Deus e lhes "ensinava muitas coisas". Por quais razões na vida matrimonial e familiar o ensinamento de Jesus parece encontrar tão pouca ressonância? Comentar a expressão: "Deixar-se ensinar por Jesus"?
3) Já se fazia tarde. O lugar era isolado. Sob o ponto de vista prático a ponderação dos discípulos afigurava-se plausível. Por outro lado, o povo parecia despreocupado com a questão prática. Permanecia a escutar o Senhor. Segundo o texto lido, qual era a real necessidade daquele povo? Os discípulos, que tinham poucos pães e não tinham dinheiro, mas estavam preocupados, tiveram que se "transformar". Até então preocupavam-se com a situação, mas não necessariamente amavam aquela gente. Isso tem algo a nos dizer? Que recomendações eles, discípulos, nos dariam hoje, se os encontrássemos?
4) Assentaram-se em grupos, sobre a relva. Aqueles "grupos" não tinham apenas um sentido de favorecer a distribuição do pão. Havia um valor de fundo orientado à convivência, à alegria e à comunhão em torno da mesma palavra e do mesmo pão. É possível perceber vínculos de identidade entre aqueles grupos e os nossos "grupos de casais" da Pastoral Familiar? A Palavra do Senhor nos influencia hoje? Identificar as mudanças pessoais experimentadas pelos discípulos e pelas "multidões".
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
OITAVO ENCONTRO
Tema: Mc 6,45-56: JESUS QUE CAMINHA SOBRE AS ÁGUAS
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto sobre a caminhada de Jesus sobre as águas
Mc 6,45-56
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto:
1. Podemos "ver" Jesus ordenando severamente os discípulos a atravessarem, de volta, o lago;
2. Nossa imaginação pode também "ver" Jesus subindo a montanha para orar; quem sabe, até podemos "vê-lo" em oração.
3. Vale também deslocar nossa atenção em direção aos discípulos "vê-los" em grandes dificuldades para fazer sua travessia. O vento e a ondas golpeiam a barca.
4. Não se pode esquecer Jesus ainda caminhando sobre as águas, os discípulos amedrontados, e a palavra de Jesus a serená-los.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. "E deixando-os foi à montanha para orar" (v, 46). Jesus acabara de realizar a multiplicação dos pães. Depois, recolheu-se para sua oração. É segunda vez que Marcos apresenta Jesus retirando-se para orar. E o fez subindo ao monte. A montanha, para a cultura bíblica, é o lugar do encontro com Deus. O diálogo orante, até a madrugada, sugere ao leitor que para Jesus é o encontro intenso e íntimo com o Pai que sustenta as suas motivações para a missão. A oração autêntica e perseverante faz o orante interpretar as situações a partir de Deus e de seu amor.
2. "Ao cair da tarde, o barco estava no meio do mar e ele sozinho em terra..." (v. 47). O "cair da tarde" não tem apenas um sentido temporal, indicador do fim do dia. O cair da tarde é seguido da noite, símbolo das trevas perigosas (potências do mal) que podem envolver os discípulos que remam sobre a barca. Jesus permanece em terra, orando. Embora seja noite, as trevas não o dominam.
3. "Vendo que se fatigavam a remar... " (v. 48a). O lago a atravessar faz lembrar o Êxodo e a passagem do mar Vermelho para o antigo povo de Israel. Foi um período de purificação. Também os discípulos experimentam muitas dificuldades em fazer a travessia com suas próprias forças. É noite, percebem-se fracos, e o vento é contrário. Para os padrões da época, explicava-se o vento contrário como forças malignas que combatiam o caminho do homem. Também as águas tinham um sentido concreto e outro simbólico: o mar agitado, sobre o qual o homem não tem nenhum domínio, retrata o caos, a desordem, em cujo fundo habitam os espíritos maus. Ou seja, de um lado há os discípulos que se fatigavam para remar, de outro há a noite, o vento, as águas agitadas. Segue que os discípulos experimentam profundamente a fraqueza pessoal e do grupo ante tantas adversidades. Não se pode, porém, esquecer um pormenor narrativo de grande significação: embora fosse noite, Jesus "viu" sua dificuldade em fazer a travessia.
4. "Pela quarta vigília da noite, dirigiu-se a eles, caminhando sobre o mar..." (v.48). A quarta vigília da noite equivale ao tempo que vai das 03:00 hs às 06:00 hs. No oriente é o tempo em que surge o sol, vem a aurora e nasce o dia. E o tempo da manhã, segundo uma tradição do profeta Isaías (Is 17,4) é o tempo da ajuda de Deus. Jesus dirige-se até a barca dos discípulos para ajudá-los a fazer sua travessia. Quanto a caminhar sobre as águas, considerava-se que esta era uma possibilidade atribuída somente a Deus. Assim em Sl 77,20 ou Jó 9,8. Mas há algo mais: se o vento açoita a barca, impedindo a travessia, no caso de Jesus nem o vento (espíritos maus), nem o mar (residência das potências malignas) têm força para frear Jesus. E com a sua chegada a travessia se torna possível.
5. "Ele, porém, fala com eles dizendo: Tende confiança. Sou eu. Não tenhais medo" (v. 50). Embora as traduções usem o verbo no passado ("falou com eles"), no texto grego de Marcos está escrito no presente ("fala com eles"). É o chamado "presente histórico", inexistente na nossa língua. Esta forma verbal quer indicar que a palavra dita no passado continua a valer para o presente. Ou seja, Jesus continua a dizer aos discípulos de hoje, cercados de temores e problemas, as mesmas palavras de ontem: "Tende confiança". Já a expressão "Sou Eu", muito conhecida no Antigo Testamento, indica a presença salvadora de Deus. Ao ser pronunciada por Jesus, além de identificar-se aos discípulos, ela revela que Ele é o portador da salvação e vitória sobre qualquer ameaça (mar, vento, noite). "Não tenhais medo" é uma frase típica de revelação da presença divina, intencionada a infundir confiança, a dissipar o temor. Para resumir: os discípulos estão envolvidos pela escuridão, há vento contrário, faltam-lhes as forças para remar..., mas o Senhor se faz próximo para que possam superar os muitos percalços.
6. "E subiu para junto deles no barco... o vento amainou." (v. 51). Jesus demonstra seu apreço por eles subindo à barca. Sua afeição não é somente de palavras. O que antes fora aproximação salvadora, agora é também comunhão ("subir à barca"). Com a presença de Jesus o obstáculo para avançar (vento) desaparece. Sua presença suplanta as forças adversas que de dentro e de fora impedia a travessia da comunidade de discípulos.
7. "Eles, porém,... estavam cheios de espanto... seu coração estava endurecido" (vs. 51.52). Face a uma experiência tão surpreendente e ao mesmo tempo tão grandiosa, é compreensível a reação de estupor dos discípulos. Mas há também uma reprovação bastante dura a eles: sua "dureza de coração". Seu significado sugere atitude de falta de fé. Quem não interpreta as situações inspirado(a) em atitudes de fé, não percebe a proximidade de Deus. Aconteceu isso já no fato da multiplicação dos pães. Eles não tinham entendido. Em outras palavras, para quem não se decide a crer, nem mesmo os maiores milagres dizem muito. Parece que aos discípulos de ontem e de hoje o grande problema não é a falta de "milagres", mas a falta de fé.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Para Jesus, retirar-se para orar era condição fundamental para sustentar suas motivações ao serviço. Por que a oração entre os cônjuges e com toda a família está tão desprestigiada? Por que nas nossas orações mais falamos do que ouvimos? A intimidade com Deus favorece a intimidade entre os casais, entre os membros da família.
2) O "vento", símbolo das forças malignas fustigava a barca. E os discípulos se viram fracos, sem forças para a sua travessia. Nem é preciso falar dos "ventos" que agridem casais e famílias. Mas como os casais hoje reunidos conseguiram vencer os momentos difíceis de sua vida matrimonial? A espiritualidade ajudou?
3) Jesus "viu" que os discípulos não conseguiam seguir adiante, muito embora se esforçassem para remar. Viu-os fracos. O que um casal, ou família, pode fazer para "deixar-se ver" por Jesus? O que Ele pediria a este grupo de casais reunidos para conheceram sua palavra?
4) Por mais que os discípulos tenham contemplado um prodígio admirável, o evangelista informa que seu coração "estava endurecido". Por isso mesmo não conseguiam perceber o significado e a grandeza da experiência vivida. Não percebiam a presença de Deus. Acontece hoje algo semelhante em nossos ambientes? Existe alguma afinidade entre "proximidade de Deus" e realização matrimonial.
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
6. No ambiente familiar era habitual que o pai da família, ao início e ao final da refeição, pronunciasse a oração de bênção. Era a gratidão a Deus pelo alimento. Jesus faz o mesmo (v. 41). Mas, na família, o pai o fazia com os olhos voltados em direção a Jerusalém e ao templo. Jesus dirige seus olhos ao céu. Assinala com isso sua relação especial e absoluta com Deus. Qual Filho de Deus, Ele age com toda a liberdade e em união com o Pai. Quanto aos discípulos, é significativo o detalhe do evangelista: "Jesus deu ao discípulos para que lhes distribuíssem..." (v. 41). Cabe, pois, a todo o discípulo transmitir e fazer visível o amor e a generosidade de Deus.
7. "Todos comeram e ficaram saciados..." (v. 42). Mais do que relatar um milagre extraordinário, Marcos espera que seu leitor entenda o fato para além de sua materialidade. Se os leitores se fixarem somente no milagre, o efeito do mesmo se acabou no momento em que todos se viram de estômago cheio. Mas o evangelista tem intenções bem mais alargadas: o alimento dado, símbolo de vida e graça que Deus generosamente concede, está orientado à partilha, sem exclusões ("todos comeram"). Os poucos pães e peixes ensejaram a abundância. O egoísmo gera insuficiência e escassez. Mas isso é possível quando as multidões "deixam-se ensinar por Jesus" e quando os discípulos seguem sua palavra. Os que comeram eram "cinco mil homens" (v.42). Quase sempre a atenção se volta para o grande número. Mas há algo mais que o evangelista quer que seu leitor perceba: antes era uma "multidão" anônima. Agora que foram "ensinados" e "alimentá-los" por Jesus, são "homens". Não se trata de diferenciação sociológica (seres masculinos). Trata-se sim de pessoas com reconhecimento pessoal diante dos outros e de Deus.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Os discípulos atuavam muito. Tinham desempenhado um grande trabalho. Precisavam de repouso. Mas precisavam muito mais de intimidade com o Senhor que os chamara. Quando o casal, mas também a família como um todo, deixa de ter seus encontros com o Senhor, percebem-se diferenças nas relações de convivência? "Estar em paz com Deus qualifica as nossas relações de comunhão". Comentar.
2) Em tempos de tanta informação e de tantas "verdades" e convicções, ainda assim parece que nossa gente está à procura de portos seguros. Jesus "compadeceu-se" da multidão com sentimentos de Deus e lhes "ensinava muitas coisas". Por quais razões na vida matrimonial e familiar o ensinamento de Jesus parece encontrar tão pouca ressonância? Comentar a expressão: "Deixar-se ensinar por Jesus"?
3) Já se fazia tarde. O lugar era isolado. Sob o ponto de vista prático a ponderação dos discípulos afigurava-se plausível. Por outro lado, o povo parecia despreocupado com a questão prática. Permanecia a escutar o Senhor. Segundo o texto lido, qual era a real necessidade daquele povo? Os discípulos, que tinham poucos pães e não tinham dinheiro, mas estavam preocupados, tiveram que se "transformar". Até então preocupavam-se com a situação, mas não necessariamente amavam aquela gente. Isso tem algo a nos dizer? Que recomendações eles, discípulos, nos dariam hoje, se os encontrássemos?
4) Assentaram-se em grupos, sobre a relva. Aqueles "grupos" não tinham apenas um sentido de favorecer a distribuição do pão. Havia um valor de fundo orientado à convivência, à alegria e à comunhão em torno da mesma palavra e do mesmo pão. É possível perceber vínculos de identidade entre aqueles grupos e os nossos "grupos de casais" da Pastoral Familiar? A Palavra do Senhor nos influencia hoje? Identificar as mudanças pessoais experimentadas pelos discípulos e pelas "multidões".
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
SEXTO ENCONTRO
Tema: Mc 6,17-20: A EXECUÇÃO DE JOÃO BATISTA
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto sobre a Execução de João Batista
Mc 6,17-29
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto:
1. Podemos "ver": Herodes e seus cortesãos em um ambiente de elevado e ruidoso consumo;
2. A jovem a dançar no meio dos convivas;
3. O olhar fulminante de ódio de Herodíades;
4. João Batista aprisionado; Herodes turbado. São estes os grandes personagens do texto.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1 - Em primeiro lugar é preciso observar alguns traços de personalidade que o texto deixa perceber acerca dos protagonistas. Herodes: rei com comportamentos egoístas e ambíguos: tomou a esposa do seu irmão (v. 17); mandou prender João (v. 17); mas sabia que era um homem "justo e santo", protegia-o e o ouvia com prazer (v. 20). Era também cruel (v. 27: "imediatamente enviou um executor..."), com trágicos temores de perder prestígio (v. 26: "...por causa do juramento e do convidados..."). Herodíades: pessoa má. Abandonara o esposo (v. 17), influenciou no aprisionamento de João (v. 17), tencionava entregá-lo à morte (v. 19) e preparou um estratagema para que isso acontecesse (vs. 21.24). A filha de Herodíades: dançarina sensual; instrumentalizada pela mãe. João Batista: homem de força profética; "justo e santo", fiel à verdade mesmo diante da morte.
2 - Sob o aspecto de poder, João é o personagem mais fraco de todo o conjunto. Mas sua coerência de vida e de fidelidade atemoriza os fortes. Especialmente Herodíades se sente incomodada. Se João continuasse a falar, o povo poderia se rebelar contra Herodes e haveria intervenção romana. Por outro lado, se Herodes, que "temia João", e o "escutava com prazer" (v. 20) decidisse ouvi-lo, Herodíades perderia seu "romance" vantajoso com o rei. Ela passou a inquietar-se por sua posição e por seu poder, ligados ao de Herodes. Melhor silenciar quem é veraz. Primeiro influenciando para prender João (v. 17), depois urdindo para que fosse assassinado (vs. 21.24).
3 - João era "justo e santo". Até Herodes o reconhecia assim. Por isso mesmo sua consciência não estava tranqüila. João era "justo" porque integrava na sua vida o modo de Deus interpretar a realidade e as situações. Era santo por ter sido consagrado ao seu Senhor. Vivia para seu Deus. E saber que o mesmo gozava dos favores do alto e que era um enviado infundia temor em Herodes. O rei parecia perceber que estava ante um profeta (aquele que empresta sua voz ao Senhor). Da parte de João, embora o texto não o refira explicitamente, é possível entrever que exerce seu ministério não com intolerância ou desprezo com os que erram. Sua seriedade inspira-se no amor.
4 - Herodes ofereceu um banquete aos "magnatas, aos oficiais, e às grandes personalidades..." (v. 21). O poder político e econômico, aliado à força militar (oficiais), assistem impassíveis, até participam com sua omissão, da grave injustiça que se praticava contra João, o homem "justo e santo". Não expressam nenhuma reação quando o mesmo é preso. Tampouco se importam com sua decapitação.
5 - A filha de Herodíades "entrou e dançou" (v. 22). O rei e convidados agradaram-se. Parece que a moça entrou por iniciativa própria, com o acordo da mãe. O ofício de dançar em banquetes era próprio das prostitutas. Ela se prestou a atuar neste papel. Agradar aos convidados e a Herodes afigurou-se como uma humilhante adulação ao poder. A menina não tem nome, isto é, parece não ter personalidade própria. Ela se define pela mãe. Totalmente instrumentalizada. O mal se difunde.
6 - "Que peço? ...agora mesmo, num prato, a cabeça de João Batista" (vs. 24.25). A jovem parece em tudo depender de sua mãe. E não contesta o pedido. É arrastada pela dureza da mãe. Seu tom é ainda mais cruel: "Quero, agora mesmo..." (v. 25). O rei se submeteu à jovem, a jovem se submeteu à mãe. E esta, por sua vez, quer assegurar sua posição. Sua relação de poder é o máximo valor para ela. Está até acima da vida do enviado de Deus. Tanto Herodes e seus magnatas, juntamente com a filha e a mãe, adotam formas variadas de egoísmo que tornam legítima até mesmo a grave injustiça. Um dado curioso é o detalhe do "prato". O banquete de aniversário, celebração da vida, converteu-se em banquete e celebração da morte.
7 - "O rei ficou profundamente triste...imediatamente enviou um executor..." (vs. 26.27). Ele sabia que o que lhe era pedido era injusto e muito grave. Era um desprezo a Deus pois que ele, rei, sabia que João era um "homem justo e santo". Até "o protegia" (v. 20). Mas fracassou em sua proteção, porque acima dos seus sentimentos pessoais, como homem, estavam os seus interesses de rei. Rever seu juramento seria desprestígio, sinal de fraqueza. A ambição desfigurou o coração.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Herodes era um rei com comportamentos muito egoístas e ambíguos. Fora também violento. Mas admitia que João era um homem "justo e santo". Até o protegia e o ouvia com prazer (v. 20). "Estranha combinação". Percebem-se na cultura moderna tentativas de fazer conviver o nome de Deus com egoísmos humanos? E isso pode ter conseqüências para a vida familiar
2) Herodíades é um bom retrato da pessoa, mulher ou homem, que sob efeito do ódio, do apego ao poder e sem nenhuma fé, não suporta a verdade. E se torna capaz de qualquer escolha. Porque João Batista lhe incomodava tanto? Qual a diferença entre amar esposa/o e filhos inspirado no amor de Deus e amar somente em nome próprio?
3) Ninguém reagiu diante da decisão trágica de eliminar João Batista. Também hoje parece que nos "habituamos" a tantas agressões à vida. Não há nisso o risco de "endurecer" nossos corações? João não foi agressivo, mas não deixou a verdade sem voz. Nos ambientes que freqüentamos pronunciamos nossa palavra de cristãos em favor do amor, da vida e da família? Há dificuldades em fazê-lo? Podemos identificá-las?
4) Herodes era ambicioso; Herodíades era dominadora; a filha era sedutora. Cada um demonstrou agrados, mas também exigências ao outro. Parecia "amor por interesse". E João "apanhou" dos três. Com certeza eles diziam se "amarem" muito. Esta família poderia prosperar? Sem vitórias "combates" a nós mesmos seremos livres para amar?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
QUINTO ENCONTRO
Tema: Mc 5,21-43: A CURA DA MULHER HEMORROÍSSA E A RESSURREIÇÃO DA FILHA DE JAIRO
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto da Cura da Mulher com fluxo de sangue e da Ressurreição da Filha de Jairo
Mc 5,21-43.
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto:
1. Podemos "ver": Jairo, angustiado lançar-se aos pés de Jesus suplicando-lhe que vá até sua casa;
2. A mulher tocando nas vestes de Jesus; o próprio Jesus dirigindo-se à mulher reconhecendo-a como uma pessoa de fé...
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1- Aproximou-se de Jesus "um dos chefes da sinagoga", seu nome era Jairo. "Caiu-lhe aos pés, rogava insistentemente..." (vs. 22-23). A sinagoga era lugar muito importante para a religião judaica. Nela os judeus se encontravam no dia sagrado (sábado), para ler meditar e interpretar a palavra de Deus (Antigo Testamento). Como bom judeu, Jesus as freqüentava regularmente. Mas com Ele, um novo tempo se iniciara nas relações do homem com Deus. Justamente por se tratar de um "chefe de Sinagoga" ir à procura de Jesus, isso está a indicar que a experiência religiosa, sem o encontro pessoal com Jesus Cristo, não é suficiente para vencer o que golpeia a pessoa (a filha está à morte).
2- É interessante observar o pedido do "chefe" judeu. Não pede apenas que cure sua "filhinha". Sua súplica é muito mais alargada: ele pede que Jesus o acompanhe ("vem"), "imponha as mãos" para que ela seja "salva e viva". Impor as mãos significa tocar com uma intenção bem determinada. Quem toca comunica sua energia e força pessoal à pessoa tocada. O pedido do "chefe" está orientado a que, tocando a filha, a mesma, "seja salva e viva" (v. 23). Salvar equivale a tirar da morte. Viver se refere a dar um sentido para a vida. Tudo isso será possível se Jesus comunicar sua força pessoal (seu Espírito).
3 - Jesus não responde com palavras, mas com ações. O leitor quase não percebe este detalhe importante da narrativa. Não se sabe da reação de Jesus. Simplesmente acompanhou o homem angustiado (v. 24). O evangelista pretende salientar o fato de Jesus "acompanhar" aquele homem sofrido. Ele não hesita em fazê-lo, põe-se ao lado de quem vive momentos difíceis, caminha com eles. E não deixa sem respostas aqueles que o buscam.
4 - Em caminho para ajudar Jairo, outra realidade humana de sofrimento se verifica. Desta vez é o drama feminino em causa. Eis o estado da mulher: problemas hemorrágicos crônicos havia já doze anos; muito sofrera; buscara tratamentos sem qualquer resultado; gastara tudo que possuía; piorava cada vez mais. Além dos tormentos físicos, uma pessoa manchada de sangue era tida por impura. Naquele estado não podia entrar no Templo, nem aproximar-se do altar. Em conseqüência não lhe era possível achegar-se de Deus. E quem a tocasse também entrava em estado religioso de impureza. Esta era a interpretação da época. Aquela mulher era, portanto, duplamente marginalizada: por ser mulher (problema social) e por se encontrar em estado de impureza, ou seja, estava em uma situação permanente de inferioridade religiosa. As portas da esperança se lhe fecharam: fisicamente sem cura; sob o aspecto religioso sem acesso a Deus.
5 - A mulher "ouvira" falar de Jesus (v. 27). Não o conhecia pessoalmente, mas o testemunho que lhe deram de Jesus suscitou nela confiança. Com Jesus ela poderia reconstruir a si mesma e suas "proximidades" com Deus e com os outros. Tocou a orla do seu manto, por trás. É um gesto clandestino. Temia a reprovação, pois uma pessoa "impura" tornava impuras as coisas e pessoas que tocava. Mas para ela o sentido do gesto era bem outro. O contato físico era figura da adesão pessoal, que incluía a confiança em sua força. O manto era símbolo da pessoa. Ao tocar no manto de Jesus ela se abria à força que viria de sua pessoa. Por isso mesmo dizia: "... se eu tocar... serei salva" (v. 28). Ela não pensava apenas em ser "curada". Procurava também a salvação de Deus: "serei salva...".
6 - Jesus se apercebeu que partira uma "força" ao ser tocado (v. 30). À força comunicada correspondeu à cessação do mal da mulher. A força saída de Jesus e a cura alcançada pela mulher resultam do encontro mediante o "toque". O encontro pessoal com Jesus, inspirado em um ato de fé e de confiança nEle, transformou a situação da mulher. Da parte de Jesus, ao menor "toque" uma força de vida partiu em favor de quem o buscava. Sua graça está disponível a todos os que lhe aderem. É interessante observar a narração do evangelista: a mulher tocou e logo estancou a hemorragia (v. 29). Jesus imediatamente percebeu que uma força partira dele (v. 30).
7 - "Filha, tua fé te salvou..." (v. 34). É comovente a resposta de Jesus. São palavras que revelam o surgimento de uma profunda comunhão entre ele e a mulher. A linguagem revela afeto e reciprocidade. E é a primeira vez que se falam. Para além de um ato miraculoso de cura, surgiu uma relação interpessoal nascida da fé. A complementação "Vai em paz" (v. 34) não indica propriamente o estado de "tranqüilidade" física. Revela muito mais uma condição de intimidade com Deus. Para além de um estado de cura, ela se viu salva. A cura do seu corpo doente se tornou sinal de um estado de salvação diante de Deus.
8 - O diálogo com a mulher nem terminara e já chegara outra notícia trágica: a filha de Jairo morrera (v. 35). Parecia um embate entre morte e vida: de um lado a mulher que fora "salva", de outro a menina que morrera. Para o pai havia, pois, duas alternativas: o desespero ou a palavra de Jesus: "Não temas, crê somente"(v. 36). Novamente aparece a fé (adesão a Jesus) como única condição necessária (somente crer). Jairo estava presente na cena da mulher, vira a força de Jesus. Mas agora, ante uma realidade ainda mais trágica, a da morte, era preciso alcançar um grau superior de confiança nEle. Para Jairo a fé não deveria ser igual a convencimento de que um milagre aconteceria. Muito mais do que isso, tratava-se de confiar às mãos do Senhor Jesus sua dor, seu limite, sua insuficiência. A Jairo tocava "colocar-se sob os cuidados de Jesus". A última palavra não pertenceria à tragédia, muito embora tanto para a mulher, quanto para Jairo, mas também para Jesus, também para nós, todos atravessamos o caminho da dor. Se Jairo nos dissesse hoje algo de sua experiência, repetiria o que ouvira de Jesus: "não temas, crê somente".
9 - "Jesus tomou a menina pela mão e lhe falou...ela se levantou e pôs-se a caminhar..." (v. 41-42). Para as leis religiosas da época quem tocasse em um cadáver humano tornava-se impuro diante de Deus. Mas Jesus é superior a tudo o que distancia Deus do homem e o homem de Deus. Tomar a jovem pela mão e dar-lhe uma ordem denota sua autoridade. Ele está também acima do que causou a morte. Levantar-se e caminhar, para além da grandeza do milagre, o evangelista ao narrar que ela se levantou e começou a caminhar, pretende que seu leitor perceba que não apenas um grande milagre aconteceu. A menina tornou-se também uma pessoa livre. Na cultura bíblica, quem pode caminhar, pode também fazer as escolhas de Deus. Era este o sentido também na cura do paralítico (Mc 2,12). Jesus recuperou sim a vida física da jovem. Mas não é este o valor maior. Ele até pediu que não contassem a ninguém (v. 43). Mais do que tudo, Jesus recuperou especialmente a capacidade de "caminhar pelos caminhos do Senhor". O efeito do milagre um dia termina (De fato, a vida física um dia se terminaria). Mas caminhar para o encontro com Deus encaminha-nos à eternidade.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Jairo era um homem profundamente religioso (chefe da sinagoga). Mas na situação limite procurou o Senhor Jesus. E Jesus caminhou com ele. Quais os motivos que nos movem a procurar o Senhor? Há diferenças em nós quando realmente o encontramos?
2) Jairo procurou o Senhor e lhe suplicou que fosse com ele e "impusesse as mãos" sobre sua filha para que a mesma fosse "salva e vivesse". Ela estava para morrer. Hoje o que sustenta vida matrimonial para que esta "viva"? Recordar algumas experiências vividas de superação de dificuldades familiares.
3) A mulher sofrera por muitos anos. Seus problemas eram físicos (hemorragias), mas também era tida por impura, portanto, considerada distante de Deus. Porém sua fé em Jesus a "salvou". O que sustenta um casal próximo de Deus? A paz entre os pais influencia na educação dos filhos?
4) A mulher portou-se como quem tinha fé. Precisava, mas recebeu a salvação. A Jairo foi-lhe pedido que "somente cresse". Crer é esperar em milagres ou aproximar-se de Deus? Como explicar aqueles casos de pessoas nossas conhecidas que crêem mesmo quando os milagres não acontecem?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
QUARTO ENCONTRO
Tema: Mc 4,35-40: A TEMPESTADE ACALMADA
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
(Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, o texto da Tempestade acalmada)
Mc 4,35-40
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto:
1- Fechando os olhos é importante "ver" Jesus e os discípulos subindo sobre a barca;
2- Também o grande lago pode ser imaginado (25 Km de comprimento / 13 Km de largura);
3- Sempre com a imaginação podemos também "ver" a barca açoitada pela chuva, pelo vento e as ondas que a ameaçam engolir; claro, nem é difícil perceber nela os discípulos em grande temor...
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1. No v. 35 as indicações ("passar para a outra margem") ("ao cair da tarde"), não são meras informações relativas ao espaço e ao tempo. Há um sentido bem pronunciado. "Atravessar" para o outro lado comporta disposições a sair da acomodação, a aceitar percorrer um novo caminho, a superar aquelas falsas seguranças que sugerem ao discípulo que não há necessidade de mudanças e aprofundamentos. O "cair da tarde" indica que a luz começa a escassear. E sem luz os discípulos ficam desorientados. Por isso mesmo ele não pode tardar em começar sua "travessia".
2. Na travessia (caminho de mudança) verificam-se tempestade de vento, ondas, a barca começa a se encher. Não se trata apenas de um fenômeno da natureza. O evangelista quer que seus leitores percebam o valor simbólico daqueles eventos realmente acontecidos: nos evangelhos a barca é símbolo da comunidade. Os ventos e as ondas expressam aquelas forças que ameaçam a comunidade de discípulos e os impedem de fazer sua "travessia". A comunidade vive, portanto, uma realidade muito difícil. Algumas forças contrárias afiguram-se mais fortes e a ameaçam.
3. É muito estranho que Jesus possa "dormir" na barca, estando ela sob a agitação da tempestade (v. 38). Mas o "sono" neste caso não quer indicar adormecimento. É, antes de tudo, sinal de soberania e de segurança. Ou seja, as tempestades, as ondas, os ventos, os perigos não o fazem temer, pois são forças que não têm poder sobre Jesus. O evangelista pretende explicitar que Ele é maior que todas as adversidades. É Ele, portanto, quem pode proteger a barca e os discípulos (comunidade) de tudo quanto a põe em perigo.
4. "Mestre, não te importa que pereçamos?" (v. 38b). Esta foi a reação dos discípulos. Até então tinham confiado em si mesmos. Somente agora, quando se encontram envolvidos em uma situação ameaçadora recorrem a Ele. As palavras deles parecem furiosas ("Não te importa..."). Diante de seus próprios limites parecem atribuir a Ele a responsabilidade pela realidade trágica que circunda.
5. Jesus, uma vez desperto ordenou ao mar e ao vento que se calassem: "Cala-te! Silêncio!" (v. 39). Na língua dos evangelistas (grego) são as mesmas palavras pronunciadas para fazer calar os espíritos maus que dominavam as pessoas (Mc 1,25; 3,12). Em outras palavras, a presença de Jesus, sua palavra e sua ação, são a única possibilidade para que a comunidade de seguidores (discípulos) possa fazer sua "travessia" e vencer o mal. Aliás, para a cultura da época acalmar o mar era possível somente quem tem as forças de Deus (Sl 89,10; 107,29).
6. "Ainda não tendes fé?" (v. 40). Impressiona que após ter acalmado o vento e o mar, o assunto imediato de Jesus não foi a potência da tempestade ou o risco a que a comunidade de discípulos esteve exposta. Imediatamente ele questionou a falta de fé dos mesmos. Com isso o evangelista pretende deixar claro aos leitores que a maior ameaça a uma comunidade (barca) não é a força externa de origem malévola (vento, ondas). O perigo maior, que ameaça discípulos e comunidade é a falta da fé. Para eles o temor era maior do que a confiança. A grande fraqueza dos discípulos era a incapacidade de "confiar" em Jesus". Eram duplamente fracos: primeiro porque não conseguiam confiar nEle; em segundo lugar porque só conheciam o poder da tempestade.
7. "Quem é este que até o vento e o mar obedecem?" (v. 41). Os discípulos já tinham visto outros prodígios de Jesus. Mas não imaginavam que chegasse a tanto. Se somente Deus tem poder sobre os ventos e o mar então o que Jesus faz procede diretamente de Deus. Nem sabem como designar. Dizem : "Quem é este?" Parece que passam a conhecê-lo a partir da travessia e do encontro com a tempestade. Aí passam a ver quem são eles (medrosos e sem fé) e quem é Jesus (aquele que é maior do que qualquer poder ameaçador).
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) "Fazer a travessia" comporta sempre aceitar também as mudanças. Para nossa reflexão entre casais vale perguntar sobre as "mudanças pessoais" que o casamento exigiu para se mantivesse? Precisaram mudar algumas atitudes? Isso foi exigente?
2) Os discípulos tiveram muito medo. Assustaram-se. A sensação era de que pereceriam. Tudo se afigurava maior do que suas forças. Na vida familiar e matrimonial já experimentaram situações nas quais lhes parecia não poder superar? Como conseguiram vencer?
3) "Não te importa que pereçamos?" Parece que os discípulos estavam indignados com Jesus. Já lhes aconteceu de terem "brigado com Deus?" Conseguiram aceitar?
4) Qual a diferença entre ter fé antes de "atravessar" uma situação difícil e depois desta experiência? Crer continua a ser a mesma coisa?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
TERCEIRO ENCONTRO
Tema: Mc 4,1-9.13-20: A PARÁBOLA DO SEMEADOR
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
(Ler atentamente, lentamente, ao menos duas vezes, a Parábola do Semeador)
Mc 4,1-9.13-20
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto:
1- Podemos "ver": Jesus à margem do lago;
2- As pessoas que se achegam a Ele;
3- Jesus falando desde o barco.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1."Jesus subiu e sentou-se num barco que estava no mar... e ensinava-lhes" (4,1.2). Nos evangelhos o barco é símbolo da comunidade. Sempre que Jesus "senta" é porque tem algo muito importante a transmitir. "Sentado", desde a "barca", Jesus lhes "ensinava". Quem se deixa ensinar tem comportamento de discípulo. Isso significa que o caminho do discipulado passa sempre pela decisão de permitir que o Senhor nos fale. E Ele o faz desde um contexto de vida comunitária (barca). Por outro lado na nossa oração quase sempre somos nós a falar, tendo poucos ouvidos ao Senhor. Até mesmo sem o querer, temos o hábito de muito falar e pouco ouvir.
2. Ao iniciar seu ensinamento Jesus chama diretamente seus ouvintes: "Escutai...saiu o semeador..." (v. 3). Nos evangelhos, todo o ato de ouvir, quando é Jesus a falar, equivale a "deixar que a vontade de Deus tenha voz". Jesus conta uma parábola (comparação). Fala do semeador que saiu para semear. Mais tarde Jesus explicará que a semente é a Palavra. Nada se diz das circunstâncias e das condições da ação do semeador. Isso porque o evangelista quer que a atenção no ato de "ouvir a Palavra".
3. "Uma parte caiu à beira do caminho... as aves a comeram" (v. 4). A semente cai em terrenos diferentes. O problema não está no semeador ou na semente. É da qualidade do terreno que tudo depende. No solo duro e pisado do caminho a semente não penetra. Seu destino é previsível: desaparece sem deixar qualquer traço.
4. "Outra parte caiu em solo pedregoso... entre os espinhos..." (v. 5-7). A semente germinou, mas é interessante observar os vários verbos aplicados a ela (Palavra): por problemas no solo ela "queimou-se"..., "secou"..., "foi sufocada". Novamente o problema situa-se no solo. No primeiro caso é superficial, sem profundidade, com pedras. O broto morre sob o calor do sol porque a pequena planta fica sem raízes. Se faltar a raiz, justamente aquela parte que não se vê, a inteireza da planta fica ameaçada. No segundo caso o solo é abundante, sem pedras, mas repleto de espinhos e/ou ervas daninhas. A semente germina, mas fica sufocada e não há fruto.
5. "Outras caíram em terra boa, germinaram e tendo crescido, produziram fruto" (v. 8). A semente é muito boa (Palavra). Também o semeador (o Senhor). Se o solo é bom haverá fruto. É interessante observar a seqüência dos eventos: a primeira semente desaparece antes de germinar (caiu no caminho / solo duro); em seguida há sementes que germinam, mas morrem logo (caíram em solo pedregoso e superficial). As seguintes germinaram, duraram mais, mas foram sufocadas pelos espinhos e outras ervas daninhas. Não granaram (solo cheio de outras plantas que competem). As que produziram com abundância caíram em bom solo.
6. A "terra boa" (v. 8) refere-se às boas disposições com que se recebe a mensagem de Jesus. Sua Palavra terá êxito se o ouvinte (mas também o leitor que participa da Pastoral Familiar) a acolher e a conservar com grande apreço. Sem cuidado ela pode até germinar (v. 5), talvez crescer (v. 7), mas sem produzir fruto. Jesus mesmo explica quais são os grandes empecilhos à Palavra: os indiferentes ou adversários do Senhor (v. 15); a fraqueza e o desânimo diante das dificuldades (v. 17); as ambições e/ou ânsias por riquezas (v. 19).
7. "Quem tem ouvidos, ouça..." (v. 9). Ao início Jesus recomendava aos seus ouvintes: "Escutai" (v. 3). Com a frase "Quem tem ouvidos..." expressa a esperança de que sua proclamação tenha algum efeito. Ele espera que quem o ouve, ou lê, seja um "bom terreno" para que a semente (sua Palavra) possa suscitar algum bem aos outros (frutos).
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) "Jesus lhes ensinava muitas coisas... Dizia-lhes: Escutai..." (vs. 2-3). Identificar algumas expressões que se difundem na sociedade acerca do amor matrimonial. O que se ensina sobre amor, sobre os afetos, sobre sexualidade humana?
2) Na parábola a semente encontrou solo endurecido, ou pedregoso, ou espinhoso. Assim como a Palavra do Senhor pode ser "sufocada", o mesmo pode acontecer com o sentido do amor humano e familiar. O que mais o ameaça ou desfigura o sentido do amor hoje? O que podemos fazer para "proteger" o seu sentido hoje? O que o faz superficial, sem duração, ou "sufocado"?
3) O que estes casais que participam da Pastoral Familiar podem oferecer a si mesmos para que suas famílias sejam um "bom terreno" para a Palavra do Senhor?
4) As sementes que caíram no bom terreno produziram bons frutos. Com freqüência as "notícias ruins" parecem se difundir mais que as boas. Apresentar testemunhos e exemplos de "bons matrimônios", que se constituíram em bom solo. O que fez deles um bom terreno?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
SEGUNDO ENCONTRO
Tema: Mc 2, 1-12: A CURA DE UM PARALÍTICO
(Todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, juntos, ao menos duas vezes, o texto.
Mc 2,1-12
Favorecer a reflexão e imaginar algumas cenas do texto. Observar o comportamento (sentimentos, reações, movimentos) dos personagens: Jesus, o paralítico, os que o transportavam, os escribas.
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1- Em "casa" vinham muitos à procura de Jesus. Os motivos eram os mais diversos, provavelmente movidos por suas necessidades. Mais do que atender aos anseios imediatos, Jesus "anunciava-lhes a Palavra" (v. 2), isto é, tinha algo a lhes dizer da parte de Deus (evangelizar).
2- O paralítico e os que o carregam são personagens anônimos: não se sabe quem é ele, nem quem são os que os levam. Nem o paralítico, nem eles pronunciam alguma palavra. Sabe-se apenas que são "quatro homens". São, pois, personagens representativos de uma situação humana bem marcada por limites, por dificuldades, por muitas carências. Vale observar o que segue: encontrar-se permanentemente em uma maca é uma situação física realmente trágica. Mas para além da realidade física, o texto quer dizer algo a mais: não poder se movimentar, estar sem condições de caminhar é como não ter liberdade, é ser prisioneiro das próprias limitações; equivale a ver-se aprisionado pelas próprias misérias, é não poder conferir uma direção positiva à própria vida. Já o número "quatro" não é apenas uma indicação numérica. Muito mais do que somente isso, o "quatro" bíblico lembra os "quatro cantos do mundo", isto é, a humanidade inteira. Em outras palavras, em Jesus todo o homem, toda a mulher, podem encontrar uma resposta possível e superadora das "paralisias" e aprisionamentos que empobrecem a liberdade e limitam a capacidade humana de amar. A figura do "paralítico", mencionado cinco vezes (versículos 3, 4, 5, 9 e 10) revela o estado da pessoa humana necessitada de salvação.
3- A tenacidade demonstrada pelos "carregadores" em superar todos os obstáculos para levar o paralítico até Jesus é apresentada como atitude de fé: "Jesus, vendo sua fé, disse...". Em termos diretos e concretos isso significa "colocar-se com confiança sob o olhar de Jesus".
4- As palavras de Jesus dirigidas à pessoa aprisionada por suas paralisias são marcadas por afeto: "Filho, teus pecados...". São palavras de perdão, que evidenciam ao paralítico que seu passado de erros deixa de pesar sobre ele. Uma vida nova agora é possível, pois que participa de um grupo de pessoas que têm fé; ele se deixou olhar por Jesus e sobre ele o Senhor pronunciou sua solidariedade afetuosa.
5- As palavras de Jesus são surpreendentes. Seria de esperar que ele primeiro curasse o paralítico, depois poderia falar de perdão. Aqui as coisas estão ao inverso. Primeiro são declarados perdoados os pecados. Ou seja, a paralisia não é tanto a da invalidez física, mas a invalidez do espírito, provocada por uma história de muitos erros. Por outro lado o texto deixa ver quanto é grave o efeito destrutivo que uma "vida de pecado" traz para qualquer pessoa.
6- O fato de Jesus "perdoar pecados" escandalizou alguns. Isso era prerrogativa única de Deus. Reagem com um sério questionamento: "Quem pode perdoar pecados senão somente Deus?" Na aparência afigura-se a um grito de batalha pela honra de Deus. Mas na realidade, os que estranham a bondade de Jesus com os pecadores tornam-se adversários de Deus misericordioso. Por isso Jesus reage com vigor.
7- O evangelista apresenta aos seus leitores dois grupos bem distintos: de um lado os que procuram a Jesus. Eles têm fé; mas entre os seus há quem esteja paralítico, sem forças, sem liberdade, prisioneiro de muitos erros. No outro lado estão os escribas, muito religiosos, mas não conseguem aceitar que com Jesus Deus quer mostrar misericórdia e não rigor. Sua dureza lhes "paralisou" o coração. Já não conseguiam entender que a misericórdia e o perdão são a melhor maneira de tornar livres todos os que buscam a Deus. No nosso texto tanto o paralítico e seus carregares quanto os escribas buscavam-NO. Uns encontraram, outros protestaram.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1) Aos que procuravam Jesus "em casa", Ele lhes anunciava a Palavra (evangelizava, trazia "boas notícias" da parte de Deus). Quais seriam as "boas notícias" que Ele anunciaria hoje às nossas famílias?
2) Encontrar-se em "paralisia" equivale a não ter liberdade. Quais seriam as características de um casal cristão libertado? A fé tem realmente uma força libertadora para a vida matrimonial e familiar?
3) Que recomendações os personagens do nosso texto (paralítico e seus carregadores) dariam aos que sinceramente querem aproximar-se do Senhor em "casa"?
4) Qual era a compreensão dos carregadores do paralítico acerca de Deus? E a dos escribas? O nosso modo de compreender a Deus assemelha-se ao de Jesus?
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
PRIMEIRO ENCONTRO
Tema: Mc 1,40-45 - A CURA DE UM LEPROSO
(todos devem dispor de sua Bíblia).
1- ACOLHIDA
a) Boas vindas por parte do casal que acolhe.
b) Oração inicial de invocação do Espírito Santo - página inicial (Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, recitam a Oração do encontro)
2- LEITURA E INTERPRETAÇÃO
Ler atentamente, lentamente, juntos, ao menos duas vezes, o texto.
Mc 1,40-45
PISTAS QUE ENCAMINHAM A PARTILHA ENTRE OS PARTICIPANTES.
1) Não se sabe quem é o leproso: de onde veio, quem é, sua idade, o que fazia. Simplesmente era o necessitado que buscava encontrar-se com Jesus. Isso deixa aberta a possibilidade do leitor colocar o seu próprio nome no lugar do protagonista do texto.
2) O homem nada tinha para oferecer a Jesus. Tinha apenas sua necessidade e sua fragilidade. Mas vale observar alguns dos seus gestos e atitudes: a)estava consciente do seu real e grave problema (lepra). Para a mente da época, quem tinha esta doença era porque se tratava de alguém rejeitado por Deus, por algum mal que fizera. Era, pois, uma pessoa rejeitada por Deus. Em conseqüência deveriam ser rejeitados pelos homens. Não podiam se aproximar dos outros. b) Mesmo assim ele se pôs em movimento até Jesus; c) aproximou-se; d) ajoelhou-se; e) falou-lhe com confiança, pois que sabia da força de Jesus ("se queres, podes..."). Ainda uma outra coisa: a sua súplica é por purificação. Há algo que o impede de ser uma pessoa "pura", transparente.
3) Também os gestos de Jesus, bem como suas atitudes, são bastante ilustrativos: a) comoveu-se profundamente face o drama do outro. Para aquele tempo "comover-se", não era apenas ter sentimentos. Equivalia a "encher-se da força" necessária para fazer o bem a alguém. b) "Estendeu" a mão. Não é apenas um detalhe.Indica uma expressão de vontade. Jesus quer vê-lo "puro". c) "Tocou" o leproso. Tocar era para comunicar a própria força. d) "Disse: quero...". Não era apenas uma questão de pronunciar alguma coisa. Mais do que tudo é a manifestação do que Jesus quer oferecer da parte de Deus, aos "impuros" que o buscam.
4) Por que Jesus pede ao homem já "purificado" que não diga nada a ninguém? Por uma razão bem simples: Ele não quer ser visto como um "milagreiro", que atende as pessoas nas horas difíceis. Ele quer ser interpretado como enviado de Deus para agraciar os que querem percorrer um novo caminho.
3- PARTILHA
Perguntas orientadoras para o diálogo:
1- Quais as grandes ameaças (lepras) que circulam na cultura de hoje e que ameaçam a beleza da vida matrimonial? E quais são as feridas presentes nas nossas famílias que golpeiam o relacionamento do casal?
2- O "leproso" tornou-se consciente de sua situação. Por que é tão difícil reconhecer os próprios limites, especialmente aqueles que mais ferem o marido ou a esposa?
3- O leproso "ajoelhou-se" diante de Jesus. Qual o grande empecilho para que os casais, cientes de suas "feridas" ajoelhem-se diante do Senhor? Que palavras pronunciaria Jesus se em nossa casa o deixássemos falar?
(Não é preciso seguir exatamente estas perguntas. O mais importante é o diálogo inspirado na Palavra de Deus. Outras perguntas podem surgir. Não pode faltar, porém, a leitura do texto bíblico e que os diálogos se deixem iluminar pela palavra de Deus. Isso é fundamental, imprescindível)
4- ORAÇÃO
Momento muito importante. Um após outro, os que quiserem podem expressar, em voz alta, sua oração, inspirada no que se partilhou e nas necessidades dos casais ou famílias reunidas. Em seguida, juntos, rezam novamente a Oração do Encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias (acima).
Quando será o próximo encontro? Na casa de quem?
A FAMÍLIA NA IGREJA E A IGREJA NA FAMÍLIA
Uma experiência que se fundamenta na Palavra de Deus
A participação da família na vida e na missão da Igreja se dá como comunidade íntima de vida e de amor; no serviço à Igreja e ao mundo; na colaboração entre as famílias. A família cristã se caracteriza como comunidade crente e evangelizadora; comunidade em diálogo com Deus, comunidade ao serviço do homem. Como a grande Igreja, a família tem necessidade de ser contínua e intensamente evangelizada. Todavia, a futura evangelização depende em grande parte da igreja doméstica. Em alguns lugares o único ambiente para a catequese é a família. Os pais devem acompanhar a vida dos filhos, principalmente adolescência e juventude; o serviço dos cônjuges e pais a serviço do evangelho é um serviço eclesial. Para isso, a evangelização na família deve estar em comunhão com a evangelização na comunidade cristã, paroquial ou diocesana. Não há dúvida de que o matrimônio necessita ser entendido como meio de santificação mútua: fidelidade, cooperação, autêntica e profunda espiritualidade conjugal e familiar. A família é vista ainda como itinerário da fé, espaço para a iniciação cristã e escola para o seguimento a Cristo.
O Deus cristão é um Deus que se comunica com seus filhos, com a família. Ele é Palavra. Mediante sua palavra, Deus fala, revela-se e sobretudo, se faz presente pela sua ação no mundo. Sua Palavra se faz ouvir pelo diálogo que estabelece com o homem e lhe revela o seu plano de Salvação; diálogo este que se vê realizando através dos tempos, de muitos modos diferentes, e que alcançou a sua expressão máxima na Encarnação do Verbo.
A Revelação é iniciativa gratuita de Deus, com caráter histórico-progressivo: interpessoal, existencial, dinâmico e oblativo; é ainda gratuita, social, encarnada, doutrinal e realista. Os vários, escritos, acontecimentos, experiências, fazem parte da totalidade da Revelação. Na medida em que Deus e o homem vão tornando-se mais próximos, a própria revelação vai tornando-se mais clara e mais real.
A Palavra de Deus quando anunciada, acolhida e vivida na sua radicalidade, transforma a realidade familiar, ilumina o caminhar dos homens e mulheres, dinamiza a pastoral da Igreja, congrega os filhos de Deus e garante-lhe a experiência com o Deus da história. Evangelizar é a missão central da Igreja. Re-evangelizar as famílias através da redescoberta da Palavra de Deus, é a missão da Pastoral Familiar.
Evangelização é o ministério que prega a Palavra de Deus de um modo dinâmico como palavra poderosa que salva, suscita a fé e adesão pessoal. Geralmente as pessoas vêm até nós ou mesmo vão a muitas Igrejas trazendo seus conflitos, seus vazios, e voltam para casa da mesma maneira que antes. O que o Cristão quer e precisa saber não apenas o que Deus disse, mas como e o que continua a dizer-lhe agora, neste contexto histórico.
Mais do que nunca, diante do contexto atual de sociedade, a Igreja, percebe que é preciso investir na família, reconhecendo sua vocação e missão. Há uma mentalidade que visa destruir as bases cristãs, morais e humanas da família. Mesmo diante da crise de valores humanos fundamentais que atingem a família, nos são apresentados aspectos importantes para uma postura pastoral: a família é ainda o lugar humano onde se transmitem os valores convertidos em projetos de vida; é a escola do mais rico humanismo. Isto nos garante que é possível uma mudança de rota, uma profunda conversão, uma verdadeira volta à vocação primeira da família cristã.
Este subsídio quer ser mais um instrumento, entre tantos outros disponíveis, para que os casais, as famílias, voltem-se para a Palavra de Deus e a partir dela redescubram sua missão e sua vocação cristã.
Pe. Valdecir Bressani
Assessor Diocesano da Pastoral Familiar
Pe. Geremias Steinmetz
Coordenador Diocesano da Ação Evangelizadora
DIOCESE DE PALMAS - FRANCISCO BELTRÃO
COORDENAÇÃO DIOCESANA DA AÇÃO EVANGELIZADORA
Projeto de revitalização da Pastoral Familiar
Lema: "Família santuário que acolhe, vive, celebra e anuncia a Palavra de Deus" (SD 214).
I. Objetivo geral: Revitalizar a Pastoral Familiar em todas as paróquias e comunidades da Diocese de Palmas - Francisco Beltrão, para resgatar os valores, a vocação, a identidade e a missão da família, reavivando a fé como membros vivos da Igreja, mediante a formação de grupos de casais ou famílias na sua diversidade, que se encontram e rezam a partir da Palavra de Deus.
II. Objetivos específicos
1. Formar grupos de até seis casais ou famílias, nas suas mais diversas composições, de acordo com a situação de cada comunidade, para a leitura, estudo e oração a partir da Palavra de Deus.
2. Resgatar a identidade, a vocação, a missão da família católica e a sua pertença à comunidade eclesial.
3. Reavivar os grupos já existentes.
4. Levar a Palavra de Deus a diferentes ambientes familiares, eclesiais e sociais.
5. Incentivar depois de consolidados a criação de novos grupos de família e casais;
6. Criar uma equipe diocesana de animação da Pastoral Familiar para os decanatos e paróquias;
7. Preparar agentes qualificados com vistas às coordenações paroquiais, decanais e diocesana da Pastoral Familiar.
III. Justificativa
Tendo em vista:
1. O objetivo geral do XIII Plano Diocesano da Ação Evangelizadora;
2. A escolha da Assembléia Diocesana de 2006 pela prioridade da Família, com atenção especial para a Pastoral Familiar;
3. Os estudos realizados nas reuniões do clero, nos encontros com os movimentos eclesiais e nos Conselhos Diocesanos de Pastoral;
4. Os apelos da V Conferência Latino-Americana e do Caribe em Aparecida, em 2007 e da CNBB, nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2008-2010):
a. As dioceses devem ser comunidades missionárias com gestos concretos de ida ao encontro dos outros, com criatividade para chegar às multidões, com um espírito pastoral adequado, com práticas pastorais e estruturas evangelizadoras, de modo especial dos pobres, sendo realmente a "casa dos pobres" (Diretrizes, 9).
b. A mentalidade individualista alastrou-se também no campo religioso. O indivíduo sempre mais escolhe a sua religião num contexto pluralista, com adesão parcial, com fraco sentido de pertença institucional, construindo um mosaico com fragmentos de doutrinas e práticas de várias religiões e considerando suas convicções uma religião invisível, com pouca ou nenhuma prática exterior (Diretrizes, 38).
c. A religiosidade, entre os brasileiros, continua alta. A declaração ‘sem religião\' parece indicar mais uma ‘des-institucionalização\' da religião e a emergência da chamada religião invisível antes que ausência dela (Diretrizes, 43).
d. As comunidades eclesiais são chamadas a uma verdadeira conversão pastoral que exige que se vá para além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral missionária e que nos inspire atitudes e iniciativas de auto-avaliação e coragem de mudar várias estruturas pastorais em todos os níveis, serviços, organismos, movimentos e associações (Diretrizes, 46).
e. Temos quatro exigências intrínsecas da evangelização: o serviço, o diálogo, o anúncio e o testemunho de comunhão (Diretrizes, 51).
O caminho percorrido pelo sujeito da fé são: O encontro vivo com Jesus Cristo, conversão, discipulado, comunhão e missão.
f. Faz-se necessário uma pastoral bíblica entendida como ‘animação bíblica da pastoral, que seja escola de interpretação ou conhecimento da Palavra, de comunhão com Jesus ou oração com a Palavra e de evangelização inculturada ou de proclamação da Palavra (Diretrizes, 63).
g. Um olhar atento haverá de ser dirigido à família, patrimônio da humanidade, lugar e escola de comunhão, pequena Igreja doméstica e primeiro local para a iniciação cristã das crianças. Tamanha é sua importância que deve ser considerada ‘um dos eixos transversais de toda a ação evangelizadora\' (Diretrizes, 128).
h. A família é reconhecida como o maior valor pelo nosso povo. Por isso deve ser ajudada por uma Pastoral Familiar vigorosa (Diretrizes, 129).
Os cristãos precisam recomeçar a partir de Cristo, a partir da contemplação de quem nos revelou em seu mistério a plenitude do cumprimento da vocação humana e de seu sentido. Necessitamos fazer-nos discípulos dóceis, para aprendermos d\'Ele, em seu seguimento a dignidade e a plenitude da vida... Em Cristo Palavra, Sabedoria de Deus, a cultura pode voltar a encontrar seu centro e sua profundidade, a partir de onde é possível olhar a realidade no conjunto de todos os seus fatores, discernindo-os à luz do Evangelho e dando a cada um seu lugar e sua dimensão adequada (DA, 41).
i. Não podemos deixar de aproveitar esta hora de graça. Necessitamos de um novo Pentecostes! Necessitamos sair ao encontro das pessoas, famílias, das comunidades e dos povos para comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas de ‘sentido\', de verdade e de amor, de alegria e de esperança! (DA, 548).
5. A abordagem da realidade e os estudos de ordem teológica e pastoral no Conselho Diocesano de Pastoral de junho de 2008;
6. O levantamento da realidade das famílias feito em nossas paróquias através das Santas Missões Populares.
IV. Metodologia:
1. Formar grupos de até seis casais que se reúnem quinzenalmente ou mensalmente.
2. Servir-se da Bíblia como texto base, mais um roteiro preparado e disponibilizado no site da Diocese. O referido roteiro tem os seguintes passos:
2.1. Acolhida
2.2. Oração inicial
2.3 Leitura do texto
2.4 Indicações para interpretação
2.5 Perguntas orientadoras para motivar a partilha
2.6 Partilha
2.7 Palavra da Igreja (interpelação).
2.8 Oração espontânea do grupo (inspirada na partilha)
2.9 Oração conclusiva
3 Organizar as coordenações nos grupos, nas comunidades e nas paróquias. Posteriormente far-se-á nos Decanatos e na Diocese.
V. Cronograma de implantação da Pastoral Familiar
1. Agosto de 2008 - lançamento da PF na Semana da Família
2. Até Julho de 2009 - organização nas Paróquias
3. Até dezembro de 2009 - organização nos Decanatos e Diocese
VI. Método de Avaliação
Todo o processo de implantação será acompanhado pela Coordenação Diocesana da Ação Evangelizadora, avaliado nos Conselhos Diocesanos de Pastoral subsequentes, nas reuniões do clero, decanatos e nas reuniões das coordenações das pastorais e movimentos da Diocese.
Francisco Beltrão
21 de Junho de 2008.
Oração inicial para todos os encontros
Oração inicial de invocação do Espírito Santo. Esta pode ser espontânea ou seguir um roteiro preparado pelo casal que acolhe. Em seguida, juntos, os casais recitam a Oração do encontro dos Grupos de Casais ou de Famílias:
Senhor Deus Pai, fonte primeira do amor e destino último de todos os que amam em vosso nome, fazei-nos dóceis à vossa Verdade amorosa. Enviai sobre nós o vosso Espírito Santo para que vossa vontade nos mova, para que vossa luz nos ilumine, para que vossa graça nos sustente, para que nosso matrimônio e nossas famílias se santifiquem. Que a Palavra de Jesus Cristo, vosso Filho e nosso Irmão, ressoe inspiradora em nossos ouvidos de discípulos. Que seu amor que perdoa, que acolhe e renova, fortaleça-nos para a vida matrimonial e familiar. Senhor, que em nossas famílias o vosso amor transfigure nossos afetos e vossa força nos ampare nos momentos difíceis. Que possamos, Senhor, experimentar lá em casa aqueles traços de amor familiar que conhecestes na família de Nazaré.